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quarta-feira, 27 de maio de 2015

NA PARAÍBA: EXTRAÇÃO ILEGAL DE TURMALINA MOVIMENTOU MAIS DE “2 MILHÕES” DE REAIS, DIZ POLÍCIA

Foto: Diogo Almeida/g1
O esquema de extração ilegal da “turmalina paraíba”, desarticulado durante operação conjunta entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal nesta quarta-feira (27/05), movimentou mais de “2.500.000,00 reais” entre os oito investigados.
De acordo com o delegado da Polícia Federal Fabiano de Lucena Martins, o potencial exploratório da mina era de cerca de 1 bilhão de dólares.
Os detalhes da investigação, que teve início em 2009, foram divulgados em entrevista coletiva na sede da Polícia Federal, em Cabedelo.
Sete pessoas foram presas e um suspeito estava foragido até as 11h00.
Policiais federais do Nordeste também cumpriram oito mandados de sequestro de bens e 19 de busca e apreensão.
Foram apreendidos carros de luxo, uma quantia em dinheiro não divulgada e algumas pedras de turmalina.
Nenhuma das prisões realizadas na operação foi feita na Paraíba, segundo a polícia.
Os suspeitos serão indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, usurpação de patrimônio da União, organização criminosa, contrabando e evasão de divisas.
A operação ‘Sete Chaves’ ocorreu nas cidades paraibanas de João Pessoa, Monteiro e Salgadinho e também nos municípios de Parelhas e Natal, no Rio Grande do Norte, além de Governador Valadares (MG) e São Paulo (SP).
Durante a entrevista coletiva, a Polícia Federal apresentou um mapa do caminho que as pedras faziam no esquema.
Segundo a PF, o esquema criminoso começava com a extração da pedra no distrito de São José da Batalha, em Salgadinho (PB). Uma empresa paraibana existente no local não possuía licença para extração da pedra, mas segundo as investigações, as pedras paraibanas eram extraídas pela empresa, ilegalmente, e enviadas para uma mina na cidade de Parelhas (RN), onde ganhavam certificados legais de exploração.
Do Rio Grande do Norte, as pedras seguiam para Governador Valadares (MG), para serem lapidadas.

Lá, comerciantes enviavam as gemas para o exterior, em mercados na cidade de Bangkok, na Tailândia, Hong Kong, na China e Houston e Las Vegas, nos Estados Unidos.
"As pedras paraibanas são de maior qualidade e portanto atraem maior interesse de colecionadores e dos suspeitos. As pedras eram exportadas como sendo do Rio Grande do Norte, e assim declaradas com valor inferior, e só no mercado do exterior que os comerciantes diziam a real origem da pedra paraibana e portanto vendiam com preço elevado", disse o delegado.
O delegado comentou que por causa da cor e da raridade da pedra, um quilate (0,2 gramas) da turmalina paraíba custa “30 mil dólares”.
Ainda de acordo com o delegado, a depender das características, o valor pode subir para “800 mil dólares.
A turmalina paraíba só é encontrada em cinco minas em todo mundo, três estão na Paraíba e duas na África.
As pedras extraídas na Paraíba são consideradas as mais valiosas entre as turmalinas, segundo Fabiano de Lucena Martins.
Segundo a Polícia Federal, entre os integrantes suspeitos de participarem da organização criminosa estão diversos empresários e um deputado estadual, que utilizavam uma rede de empresas para realizar o suporte das operações bilionárias em negociações com pedras preciosas e lavagem de dinheiro.
A PF e o MPF não divulgaram o nome do parlamentar envolvido, mas a assessoria do deputado estadual João Henrique (DEM-PB), sócio de uma empresa de mineração na Paraíba, encaminhou nota se posicionando sobre a operação.
"A empresa do deputado está completamente regular perante a Receita Federal e o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), sendo a única que dispõe de concessão de lavra para o minério turmalina", informa a nota.
A assessoria de imprensa informou ainda que "o deputado apoia e contribuirá incondicionalmente com as investigações, porque também é vítima desses criminosos que vêm praticando o crime de lavra clandestina na região, através de empresas com ramificações em Parelhas, no Rio Grande do Norte, Governador Valadares, em Minas Gerais, Bangkok, Tailândia, Hong Kong, China, Houston e Las Vegas".
A polícia suspeita que um grande volume destas pedras esteja nas mãos de joalheiros e de pessoas no exterior.
O nome da operação faz referência aos negociadores no mercado restrito da turmalina azul, que guardavam à ‘sete chaves’ o segredo sobre a existência de uma pedra valorizada e pouco conhecida no mercado.
(g1pb)

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