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domingo, 9 de agosto de 2015

FILHO DE HIDELBRANDO PASCOAL DIZ QUE TATUOU O ROSTO DO PAI PARA “TÊ-LO POR PERTO”

Iryá Rodrigues
Do G1 AC
Apesar do pai não aprovar tatuagens, o pecuarista Hildegard Gondim, de 32 anos, conta que resolveu homenagear o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal tatuando seu rosto no braço.
Gondim diz que foi uma forma de "tê-lo por perto", já que o pai está preso há 16 anos.
Pascoal é acusado de liderar um grupo de extermínio que atuou no Acre durante a década de 90.
"Foi uma forma que eu encontrei de estar perto e de poder olhar para ele, justamente pelo fato de estar há 16 anos longos anos longe de mim. Meu pai não gosta de tatuagens, mas quando viu a minha, ele gostou e ficou sem palavras. Quis mostrar que ele é minha força, meu herói", diz o pecuarista que há cinco anos resolveu eternizar seu amor pelo pai com uma tatuagem.
Gondim conta que a relação com o pai durante os anos que ficaram separados foi difícil, mas que nunca perdeu a esperança de que estariam juntos em algum momento.
"Sempre conversamos e planejamos reescrever uma nova história, buscar um cuidar mais do outro e viver para a família, sem olhar para política e essas coisas todas. A gente sempre se vê, quando não posso visitá-lo, minha mãe, que está sempre com ele, nos mantém informados", conta.
O Dia dos Pais, comemorado neste domingo (09/08), é uma data em que Gondim sente ainda mais a falta do pai.
Segundo o pecuarista, tanto esse dia como aniversários e o natal são difíceis, pois fica um "vazio enorme", que não tem como ser preenchido. 
Este ano, esse dia tinha tudo para ser diferente, o ex-deputado ganhou o benefício de progressão do regime fechado para o semiaberto e estaria em casa, na terça-feira (4), mas no mesmo dia, a decisão foi cassada.
"Esse Dia dos Pais ia ser maravilhoso, porque meu pai ia estar aqui com a gente, mas infelizmente não vamos estar juntos mais uma vez. Então, vou tentar ir ao presídio para dar um abraço nele", lamenta o filho.
Quando o pai foi preso, Gondim tinha 16 anos e teve que ouvir muitas críticas ao pai.
Segundo ele, no início não sabia lidar com a situação, e inclusive chegou a brigar com colegas de escola após ouvir ofensas sobre seu pai.
Com a maturidade, o pecuarista conta que aprendeu a não se importar tanto com as críticas.
"Ao longo da minha vida sempre ouvi muitas críticas sobre o meu pai e eram críticas pesadas. Aprendi a lidar com isso, hoje não me abala de forma alguma. Não há nada que consiga abalar o orgulho que eu sinto do meu pai", conclui.
HISTÓRICO
Acusado de chefiar um grupo de extermínio no Acre, Pascoal cumpre pena em Rio Branco por tráfico, tentativa de homicídio e corrupção eleitoral.
Em 2009, ele foi condenado pela morte de Agilson Firmino, o 'Baiano', caso que ficou conhecido popularmente como “Crime da Motosserra”.
As condenações todas somam mais de 100 anos.
Hildebrando Pascoal Nogueira Neto nasceu em 17 de janeiro de 1952 em Rio Branco, no Acre.
Fez carreira na Polícia Militar e chegou a ser comandante.
Em 1994, elegeu-se deputado estadual pelo PFL e exerceu o mandato entre 1995 e 1999.
Nas eleições de 1998, conquistou o cargo de deputado federal, mas não chegou a cumprir nem um ano do mandato.
Após diversas denúncias contra Hildebrando Pascoal na Justiça do Acre, o Congresso formou uma comissão parlamentar de inquérito em abril de 1999, chamada CPI do Narcotráfico.
A CPI e o Ministério Público investigavam a existência de um grupo de extermínio no Acre, com a participação de policiais, e que seria comandado por Hildebrando Pascoal.
O grupo também era acusado de tráfico de drogas.
A principal acusação contra o então deputado durante a CPI era de que ele teria sido mandante do assassinato, em 1997, de pessoas que testemunhariam contra ele.
Hildebrando foi apontado como responsável pelas mortes dos policiais Walter José Ayala, Jonaldo Martins e Sebastião Crispim da Silva e do mecânico Agilson Santos Firmino, o Baiano.
(g1ac)

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