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domingo, 1 de novembro de 2015

JOSÉ CLÁUDIO: 30 ANOS DE RÁDIO E TV BORBOREMA. CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DO CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA

O radialista e comunicador José Cláudio completa neste domingo (01/11) 30 anos de profissão.
Um dos mais carismáticos apresentadores da TV paraibana é um cidadão simples, correto, honesto e humano.
Os programas policiais que ele comanda no rádio e na TV são líderes de audiência.
O sucesso não lhe subiu à cabeça.
Zé Cláudio comentou esta data na página dele no facebook:
“Hoje e um dia importante na minha vida e gostaria de dividir este momento com vocês! Estou completando 30 anos hoje como funcionário da rádio e TV Borborema. Quero agradecer a DEUS, aos ouvintes e telespectadores pelas orações que fizeram por mim; pelas críticas no momento certo e pela audiência de todos os dias! A luta continua. Fiquem com DEUS. Eu estou com ELE sempre!!!”
No dia sete de setembro do ano passado José Claudio de Oliveira, 48 anos, concedeu entrevista ao renatodiniz.com
Reveja.
COMO FOI A SUA INFÂNCIA?
Foram tempos difíceis. Com muita dificuldade. Meu pai trabalhou como vigia de rua e guarda noturno; Minha mãe trabalhou como costureira, mas eles sempre me deram a condição para estudar.
COMO FOI SUA CHEGADA AO RÁDIO E A TV?
Quando eu era criança, com onze ou doze anos, sempre insistia com meu pai para que ele comprasse um gravador (daqueles que tinham um microfone). Naquela época eu já brincava de ser radialista. Era um rádio ligado e o gravador ligado. A partir daí eu senti que tinha tendência para a área de comunicação e em 1984 eu recebi um convite do Timóteo de Souza, do professor Everaldo Lira e outros companheiros para apresentar na Rádio Sociedade (hoje Rádio Cariri), o programa “A Turma da Escola” que era um noticiário variado, levado ao ar todos os sábados. A Rádio Sociedade funcionava ao lado dos estúdios da Rádio Borborema (hoje Clube), pois fazia parte do Grupo Associados. Fiz um teste para a Rádio Borborema (não passei), depois eu fiz o segundo teste e acabei aprovado. O primeiro programa que apresentei na Borborema foi “Nelson Sempre Nelson”. Fui ainda repórter de pista (repórter esportivo) e plantão esportivo na Sociedade. Na Borborema fiz plantão policial “de hora em hora”. O primeiro plantão era às 06h00 e o último às 23h00. Algum tempo depois recebi um convite da direção da emissora para apresentar a Patrulha da Cidade em substituição ao jornalista Assis Costa. Esse programa apresentei, durante algum tempo, com Alexandre Borges e José Nilton “Barra Pesada”. A Patrulha no rádio ficou alguns anos fora do ar, mas já faz quatro anos que ela voltou aqui na Clube. Vinte um anos atrás, uma ideia do diretor Marcelo Antunes foi colocada em prática, ou seja: A Patrulha da Cidade na TV Borborema. O  programa emplacou e é líder em audiência.
DURANTE ESSES ANOS VOCÊ JÁ FOI AMEAÇADO DE MORTE? TEVE ALGUM MOMENTO EM QUE REALMENTE IMAGINOU QUE CORRESSE RISCO DE MORTE?
Eu recebi inúmeras ameaças (por telefone e cartas) que eu não levava em consideração, mas algumas outras foram muito sérias. Na época com a repercussão das ameaças, o então secretário de segurança Marcus Benjamin determinou proteção 24 horas. Isso durou aproximadamente um mês. Aquilo era algo complicado. Depois a “poeira baixou”. Tudo aconteceu por causa das denúncias que eu fazia. Hoje, posso garantir que essas coisas não me intimidam. Faço meu trabalho denunciado os errados, “doa em quem doer”.
COMO FOI A EXPERIÊNCIA DE SER VEREADOR POR DUAS VEZES EM CAMPINA GRANDE? QUAL O LADO BOM E O LADO RUIM?
Em 1996 fui eleito pela primeira vez. Isso foi uma demonstração do carinho da população. Nesta oportunidade fui o quinto mais votado na cidade e o primeiro da minha coligação (que elegeu seis vereadores). Tive oportunidade de conviver com muitas lideranças, hoje conhecidas em todo o estado da Paraíba. Tive alegrias e decepções com algumas pessoas, com alguns políticos, mas me considero um político, mesmo sem mandato. Com a minha voz eu trabalho pela segurança da minha cidade. Levo às reivindicações da sociedade até as autoridades. Não me arrependo de nada quando vereador. Foi uma experiência válida. Não posso dizer que não vou me candidatar futuramente, mas meu foco hoje é continuar trabalhando no rádio e na TV em benefício da população.
COMO É O JOSÉ CLÁUDIO FORA DOS ESTÚDIOS DA TV E DO RÁDIO? O QUE VOCÊ FAZ?
Veja bem: eu me dedico muito ao trabalho também fora da empresa. Em casa eu procuro me informar do que está acontecendo. Tenho que ficar “antenado”. Tenho um bom relacionamento com policiais civis e militares que são fontes, mas tenho meus momentos de lazer com a família, com meus filhos e com minha mãe (meu pai já morreu). Tem o momento da cervejinha com os amigos, uma boa conversa e tudo com muita responsabilidade (eu bebo, Batatinha bebe e você bebe... com responsabilidade). Gosto de dançar, me divirto como qualquer pessoa normal. Muitas vezes as pessoas me encontram num lugar dançando e acham aquilo quase que “anormal”. Eu posso beber, posso dançar e posso me divertir. Não sou estranho, não sou estrela. Sou uma pessoa normal, no entanto no meu trabalho mostro minha seriedade, como mostro também fora, pois é meu nome que está em jogo, é o nome da empresa e é o nome do programa.
COMO VOCÊ AGE DIANTE DO ASSÉDIO?  QUEIRA SIM, QUEIRA NÃO, O FATO DE VOCÊ SER UM HOMEM DA TV EXISTEM OS FÃS E OS QUE NÃO SÃO TÃO FÃS ASSIM.
Olha: nem CRISTO agradou todo mundo. Eu sei que tem pessoas que não gostam do meu trabalho, mas eu respeito, pois ninguém é obrigado a gostar da pessoa ou do trabalho dela. Por outro lado eu tenho recebido o apoio, o carinho e a solidariedade de uma infinidade. Procuro me manter numa conduta firme e responsável, pois é meu nome e isso é motivo de respeito e aceitação. Posso dizer também que o carinho que recebo de pessoas (crianças, jovens, adultos, e da melhor idade) tirando fotos comigo me estimula, me faz feliz e me traz alegria.
QUAIS AS REPORTAGENS OU MOMENTOS QUE MARCARAM VOCÊ, NO SEU TRABALHO?
Foram inúmeros os momentos que marcaram. Houve um caso que acompanhei (ainda como repórter da então Rádio Borborema) que me tocou bastante. Por exemplo: uma menina de cinco anos foi sequestrada por um maníaco que abusou dela de todas as formas e depois a matou, além disso, ocultou o cadáver em uma fossa. Isso me chocou. Outro caso foi em 1986 e diz respeito à morte de um taxista. Dois homens solicitaram uma corrida. O taxista saiu da praça, próximo a rodoviária velha, e desapareceu. Um mês depois ficamos sabendo que o corpo dele tinha sido enterrado em Russas/CE.  Durante o tempo em que ele ficou desaparecido, nós nos mobilizamos bastante para saber o paradeiro dele. A família não tinha condições de trazer o corpo e fizemos uma campanha na rádio para que ele fosse transladado. Arrecadamos uma boa quantia. Houve a exumação do corpo. Uma equipe do UML (hoje Numol), a família dele e eu fomos até o Ceará. Na volta, quando chegamos ao distrito de São José da Mata, nos deparamos com uma imensa fila de táxis. O cortejo me marcou. Muita gente pensa que para repórter policial, “quanto pior, melhor”. Não é assim. Eu, você e outros, não temos pedra de gelo no lugar do coração. Somos humanos e temos sentimentos. A gente se depara com tanta tragédia que as lágrimas caem. Nós temos sentimentos e temos vontade de chorar.
QUEM TRABALHA NESSA ÁREA DO JORNALISMO O TELHADO É DE VIDRO?
Nós trabalhamos numa vertente do jornalismo que muita gente não compreende. É complicado e é difícil. Por exemplo: se elogiamos um policial, por sua conduta em uma ação, somos afagados; se condenamos a conduta de um policial, por uma atitude inadmissível, somos condenados.  Eu já tive oportunidade de denunciar muitos policiais. Sei perfeitamente que uma minoria não gosta de mim, mas a grande maioria trabalha comigo. Faz o certo. Muitas das minhas fontes são policiais; fontes extraordinárias. Eu respeito muito essa gente que confia no meu trabalho, no nosso trabalho. Mas eu digo para quem quer enveredar nesta área: não se intimidem com cara feia. Quem abraçar o jornalismo policial tem que ter vocação, credibilidade, honestidade e caráter. Eu sou apaixonado pela área policial. É emocionante.
NÓS SABEMOS QUE A FONTE NÃO DORME? VOCÊ ATENDE TELEFONES DURANTE A MADRUGADA, OU DORME?
Quer se dedicar a área policial? Então não desligue o telefone. Insista. Crie elo com instituições e com pessoas. Não acredito em quem se diz jornalista policial que não pode atender uma fonte durante a madrugada. Meu telefone é ligado 24 horas. Eu durmo com um caderno e um lápis ao lado da cabeceira. Se ligarem eu anoto. Faz parte e é assim que tem de ser.
BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO?
Em determinados casos bandido bom é bandido morto. Não digo àquele ladrão de galinha, batedor de carteira, entre outros, mas tem bandido que violenta, que sequestra, que mata covardemente e o melhor lugar para esse tipo de gente é cemitério. Não estou aqui incentivando a violência. Lhe digo com toda sinceridade: eu tenho ódio de bandido. Meu pai e outros familiares já foram vítimas de bandidos. Quem não foi vítima de bandido covarde? Quantas famílias que estão tendo acesso a essa nossa conversa, já não perderam alguém para essa gente? Quantas vítimas de estupros? Repito: em determinados casos, bandido bom é bandido morto.
RELAÇÃO POLÍCIA E IMPRENSA EM CAMPINA GRANDE. QUAL SUA VISÃO?
Melhorou bastante, mas seria interessante adotar a figura do assessor de imprensa. O jornalista policial (repórter) poderia ter um local específico para poder trabalhar na Central ou Batalhão informando o fato “em cima da hora”. Já trabalhei em períodos horríveis de relacionamento, mas sempre resolvemos isto. O diálogo resolve.
QUAL O SEGREDO DA PATRULHA DA CIDADE NUNCA FICAR “EM BAIXA”?
Temos um trabalho de equipe. Nada é decidido por um só. A área policial tem critérios. São normas que devem ser empregadas sempre.  Tudo passa pelo crivo de Bastos Farias, nosso Gerente de Jornalismo, mas tudo é combinado e discutido. É uma equipe. A linha adotada é informar com responsabilidade. O sensacionalismo não tem espaço no jornalismo responsável.
CAMPINA GRANDE É UMA CIDADE VIOLENTA?

A violência é uma questão nacional. Não é uma particularidade de Campina Grande. É preciso ser justo: o número de homicídios diminuiu bastante em nossa cidade, porém os crimes patrimoniais e roubo a pessoas são uma constância. Isso é preocupante. Me perturba, por exemplo, passar em ruas de vários bairros e ver estabelecimentos com grades. O comerciante está preso, no seu local de trabalho, sem poder abrir a porta, enquanto o bandido lá fora, dita as normas. Mas é bom deixar claro: a polícia enxuga gelo. Ela prende hoje e amanhã o bandido está nas ruas. É imoral ver situações como esta. A maioria dos bandidos presos em flagrante delito, nos crimes de roubos e furtos, tem um histórico de reincidência. Se a polícia prende hoje e amanhã o cara está nas ruas, é culpa dela? Não é? A fragilidade de nossas leis é uma porta escancarada para a contínua impunidade. Isso não é culpa do delegado, do agente, policial militar, do agente penitenciário. A culpa é de um bando de senadores e deputados federais que ignoram a realidade. Eles deveriam ter vergonha na cara. O nosso país precisa de gente que se preocupe com o país.

Um comentário:

  1. Parabéns ze Cláudio o mundo precisa de homem assim corajoso íntegro inteligênti e q n tem medo de fala a verdade doa a quem doe boa sorte Deus te abençoai...

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