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terça-feira, 20 de setembro de 2016

PARENTE NÃO CRÊ EM ACERTO DE CONTAS NA MORTE DE FAMÍLIA PARAIBANA NA ESPANHA

Os parentes da família paraibana que foi encontrada esquartejada na Espanha descartam a possibilidade de o crime ter sido motivado por um acerto de contas.

Segundo Wilta Diniz, tia de Janaína Santos Américo, ninguém sabe o que pode ter acontecido, mas a família das vítimas não considera a linha de investigação das autoridades espanholas que especulam um possível ajuste de contas.
“A gente espera justiça, que seja desvendado e que o nome deles, a honra da família, seja limpa. Porque a gente não deve, isso não é verdade, o que estão divulgando”, comentou a tia de Janaína.
“Disseram que até os documentos deles levaram. Não tinha nada na casa. Mas, a gente não sabe, porque todo mundo fala muita coisa”.
O casal Marcos Nogueira e Janaína Américo e seus dois filhos, de cinco e um ano, foram encontrados mortos, esquartejados, na casa onde moravam em Pioz, um povoado de menos de quatro mil habitantes próximo a Guadalajara, ao nordeste de Madri.

Os investigadores calculam que os corpos se encontravam na casa há cerca de um mês e cogitam a possibilidade de acerto de contas.
“O choque também é a forma como está saindo na imprensa, dizendo que foi acerto de contas. A gente não tem ideia, a gente vai imaginar o que? Eu sei que não foi [acerto de contas], isso eu tenho plena convicção. Porque eu conhecia Marcos, eu conhecia Janaína. E ela não era uma menina disso, nunca foi. Ela não tem amizades lá”, disse Wilta.
Wilta ainda explicou que o irmão de Janaína providenciou um passaporte de emergência para ir até a Espanha.
“Ele é o irmão gêmeo dela, primeiro grau. Então ele é o mais indicado a ir, pra chegar lá e resolver essas burocracias todas”, disse.
O cunhado de Janaína, Eduardo Bráulio, informou que a família não teve mais notícias do Consulado-Geral do Brasil em Madri e que só vai ter mais informações quando chegar lá.
A viagem deve acontecer até a sexta-feira (23).
Ao G1, na segunda-feira (19/09), o Itamaraty informou que está acompanhando o caso, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Madri, e mantendo contato com as autoridades locais.
Porém, em respeito à privacidade dos cidadãos brasileiros no exterior e em cumprimento à determinação das autoridades locais de que as investigações tramitem em segredo de justiça, o Itamaraty informou que não está autorizado a divulgar mais informações sobre o caso.
O irmão de Marcos, Walfran Campos, também não acredita que há indícios para acreditar em acerto de contas.
“Se ele estava com algum problema financeiro ou recebendo alguma pressão de alguma pessoa, de briga ou algo assim, ele nunca nos informou”, disse nesta terça-feira (20).
Campos explicou que na última vez que falou com o irmão, pouco tempo antes de não ter mais notícias, ele estava feliz com as conquistas obtidas e que a família não sabe o motivo pelo qual as vítimas foram mortas.
Walfran, que é autônomo, conta que o irmão morava e trabalhava na Europa há 15 anos e que após casar com a também paraibana Janaína Santos, levou a mulher para morar com ele.
Ele disse que há pouco tempo o irmão havia sido promovido e se tornado subgerente da churrascaria onde trabalhava.
“A última vez que falei com meu irmão foi no dia 16 de agosto, ele estava empolgado porque tinha mudado de casa, ido morar numa casa boa, em um condomínio fechado, e estava contente porque sabia que eu ia visitá-lo, já estava de viagem marcada. A minha família também pensava em ir passar o Natal com eles”, explicou.
A família nunca desconfiou de que poderia acontecer algum crime contra as vítimas.
“Ele nunca comentava nada com a família porque ele não queria que a gente se preocupasse, mas a gente nunca desconfiou que uma situação como essa, de matar quatro pessoas, sendo duas crianças, pudesse acontecer. Qual o erro que meu irmão cometeu para matarem também o meu sobrinho de um ano, a menina de quatro anos e a mulher dele? Para nós isso foi forte demais e estamos sem entender o que aconteceu”, disse Walfran.
O irmão da vítima também explica que o desejo da família é trazer os corpos para o Brasil e que eles devem ser enterrados em João Pessoa, onde moram os parentes das vítimas, mas que ainda não sabem quando haverá a liberação dos corpos.
“Como é uma coisa internacional, tem muita burocracia e isso demora bastante. Estou falando com meus amigos, tentando ver se alguém se movimenta para resolvermos isso”, disse.
Walfran Campos ficou sabendo após ler em um jornal a notícia. “Ficamos sabendo através de um jornal. Meu cunhado comprou um jornalzinho pequeno e lá tinha uma notícia falando sobre este caso dos quatro brasileiros assassinados em Madrid. Ele me ligou, eu fui lá e quando olhei e vi que eram dois adultos e duas crianças e no mesmo endereço que meu irmão, eu associei. Fui em casa, olhei em um site espanhol e tinha a foto da casa do meu irmão, foi quando confirmei o caso”, completou Walfran.
ENTENDA O CASO
Os corpos do casal e das duas crianças foram encontrados esquartejados no domingo (18), na casa onde eles moravam, a cerca de 60 km de Madri.
Um porta-voz da Guarda Civil informou que os corpos esquartejados estavam em uma casa de Pioz, ao nordeste de Madri.
Os investigadores calculam que os corpos se encontravam na casa há cerca de um mês.
As autoridades foram alertadas por um vizinho "que percebeu o odor" procedente da residência, segundo a polícia.
Segundo a imprensa espanhola, os corpos foram achados em bolsas de plástico fechadas com uma fita adesiva.
Os agentes não encontraram sinais de que os assassinos tenham forçado a entrada na casa da família.
"Temos a investigação sob segredo judicial e ainda não esclarecemos as causas. Parece que foi feito por profissionais", acrescentou o porta-voz.
Apesar do sigilo da investigação, as autoridades especulam sobre um possível ajuste de contas.
"A forma com que os corpos foram achados indica uma intenção de não deixar pistas e depois se desfazer deles", afirmou Jesús García, tenente-coronel e investigador da Guarda Civil.
"Dá a impressão de que algo foi abortado em um determinado momento, porque não é lógico que os cadáveres ficassem ali, dentro de casa".
(G1 PB)

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