terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A CIDADE É PARA AS PESSOAS OU É PARA OS VEÍCULOS?


Por Fernando Soares*
A evolução da frota de veículos em Campina Grande, no período de onze anos (2003 a 2014), segundo o setor de estatísticas do Departamento Nacional de Transito – DETRAN/PB, apresentou um crescimento de 147%.

Apesar de ser um percentual expressivo, a expansão da frota de veículos de nossa cidade ainda foi menor do que a registrada em municípios como Guarabira com 204%; Patos 182%; Sousa 198% e Cajazeiras 175%.
Nesse mesmo tempo, a frota da Paraíba aumentou 211% e teria, em 2014, segundo o DETRAN, 1.046.484 veículos.
Os números mais recentes do DETRAN na Paraíba mostram que Campina Grande tinha, em outubro de 2015, uma frota de 151.924 veículos.
O crescimento da frota de veículos nas cidades nos últimos anos se constituiu num fenômeno que chama a atenção de vários especialistas.

São inúmeros os problemas que os municípios enfrentam com a expansão do número de veículos em suas ruas, que vão desde os engarrafamentos, poluição ambiental, acidentes de trânsitos, investimentos em infraestrutura viária e em projetos de mobilidade urbana para facilitar a fluidez do trânsito e garantir a segurança dos pedestres.
É bem verdade que as cidades, a exemplo de Campina Grande, não estavam preparadas para receber tantos carros e motos, e as consequências são visíveis.
Um dos reflexos do crescimento da frota de carros e motos nas vias urbanas se apresenta agora em nosso município, quando a maioria dos comerciantes instalados na Rua Maciel Pinheiro, para evitar o caos, decidiu interditar o trânsito de veículos naquela artéria nos dias de sábado do mês de dezembro, visando beneficiar as pessoas que se dirigem a pé para efetuar compras naquela importante área varejista.
O entendimento destes empresários, portanto, é no sentido de que ruas devem servir às pessoas e não aos automóveis.
Com essa estratégia de restringir a Rua Maciel Pinheiro para o uso dos automóveis, os empresários querem usar esta experiência para a implantação do shopping a céu aberto, uma tendência de comércio que alia entretenimento e lazer com espaços de convivência dedicados aos consumidores.
A iniciativa conta com o apoio da Associação Comercial, SEBRAE e da Prefeitura Municipal.
Uma realidade em várias cidades do país, o conceito de shopping a céu aberto ganha força entre lojistas e comunidades e vem sendo usado como instrumento de revitalização urbana e valorização do comércio de rua, para enfrentar a concorrência com os atrativos oferecidos pelos shoppings centers tradicionais.
É consenso entre os empresários varejistas de rua, que o ambiente para as compras dos consumidores que se dirigem às lojas do centro da cidade deve proporcionar conforto, comodidade, atendimento diferenciado, segurança e entretenimento, visando à satisfação plena do cliente.
Mas, também se reconhece que a implantação de ações com o foco nesse novo ambiente de negócios, envolve uma verdadeira transformação cultural e urbana, sugerindo a adoção de uma série de medidas, entre elas, a quebra de fortes paradigmas, inclusive, do próprio segmento empresarial.
Não se faz um projeto como esse sem impor restrição ao comércio informal, uso do automóvel, alargamento de calçadas, melhorias da sinalização, iluminação e no sistema de transporte público, em seus vários modais, sem esquecer a segurança.
Como observador da cena urbana e do mundo empresarial, acredito muito nesse conceito de comércio ao ar livre.
Conheço muita gente que gosta de estar na rua, pois já passa a maior parte da semana em áreas fechadas, em seus escritórios ou presos em engarrafamentos.
Concordo com o entendimento de que a cidade deve atender primeiro as pessoas, depois aos que se deslocam pelos meios não motorizados e, só depois, aos que fazem uso do transporte individual, cabendo ao município estabelecer políticas de incentivo ao transporte público, para oferecer mais qualidade de vida à população.
*Fernando Soares é jornalista e presidente da ACI – Associação Campinense de Imprensa

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