sexta-feira, 2 de junho de 2017

MULHER CHAMA DE “NEGUINHA MACUMBEIRA” IMAGEM QUE SIMBOLIZA NOSSA SENHORA APARECIDA, PADROEIRA DO BRASIL; TUDO ACONTECEU NA FEDERAÇÃO PARAIBANA DE FUTEBOL. ENTENDA

Os tumultos ocorridos nessa quinta-feira (01/06), na sede da Federação Paraibana de Futebol (FPF), não envolveram apenas a tentativa do vice-presidente Nosman Barreiro de assumir o comando da entidade no lugar do presidente Amadeu Rodrigues, que estava na França a serviço da CBF.
Um episódio de intolerância religiosa e de racismo foi mais um grave incidente neste cenário caótico que empobrece o futebol paraibano, a ponto de um dos principais símbolos do catolicismo brasileiro ter sido chamado de "neguinha macumbeira".

Nosman Barreiro, seus advogados e aliados já haviam entrado na sede da FPF e chamado um chaveiro para abrir as portas da sala presidencial (pois os advogados e aliados de Amadeu Rodrigues se recusaram a lhes entregar as chaves que dariam acesso a todos os espaços do prédio), quando um ato aparentemente criminoso roubou a cena por alguns instantes.
O episódio foi praticado por uma aliada de Nosman Barreiro.
Há desencontro de informações sobre ela ser secretária ou irmã do vice-presidente - ou as duas coisas.
Fato é que o tempo todo, durante o tumulto, ela esteve apoiando o ato do dirigente e, por vezes, o orientando sobre o que ele devia dizer à imprensa.
Nosman estava sentado à mesa de presidente da FPF, onde já havia identificado a imagem de Nossa Senhora Aparecida, considerada pelos católicos como a padroeira do Brasil (santa da qual o presidente Amadeu Rodrigues é devoto).
Antes que Nosman iniciasse o seu pronunciamento, a sua aliada fez questão de retirar a imagem, que estava presa à mesa com fita adesiva.
Nosman, aparentemente, até tentou impedi-la.
Mas não conseguiu.

E enquanto ela se desvencilhava do símbolo religioso, deixava claro, falando em voz alta, que não queria que a santa aparecesse ao lado de Nosman em seus primeiros instantes como suposto presidente.
Vamos tirar ela daqui. Porque... ela aqui não. Não, deixa ela aqui atrás. A gente só adora uma coisa: Deus. Deixa ela aqui - alardeava a mulher, em tom agressivo, enquanto levava a santa para um dos sofás do recinto”.
Logo após alojar a imagem no canto de um dos sofás, aos olhos de dirigentes, advogados e profissionais da imprensa, a aliada de Nosman ainda se propôs a um último ajuste na "acomodação" da santa.
A mulher tratou de colocar o símbolo religioso de costas para os presentes.
Ainda em meio a alguns comentários rápidos sobre o embate político que era travado naquela sala, a mulher vociferou as últimas palavras da sua manifestação de intolerância religiosa e racismo:
Tá repreendido. Botaram a neguinha macumbeira pra cá ", finalizou.
Feito isso, Nosman fez o seu pronunciamento na condição de presidente, cargo que ele se autodeclara assumir desde então. Falou das providências que pretende tomar à frente da FPF, o tempo todo ladeado pela mulher, sua aliada e declarada opositora de Nossa Senhora Aparecida.
Uma vez terminada a fala de Nosman e já passada, inclusive, a declaração do diretor jurídico da FPF, Marcos Souto Maior Filho – que , por procuração, é o atual presidente da entidade – a  mulher voltou à tona.
Resgatou a imagem da santa no canto do sofá.
Recolocou-a na mesa presidencial.
Deixou a principal sala da Federação.
E, no fim das contas, o símbolo religioso seguiu em sua espécie de "altar improvisado".
(Por Cadu Vieira, João Pessoa)
ENTENDA O CASO
Tudo começou por volta das 16h00 desta quinta-feira.
O vice-presidente Nosman Barreiro chegou à entidade acompanhado de seu advogado e de alguns aliados, dizendo que iria tomar posse como novo presidente da FPF.
A confusão, como não poderia ser diferente, foi generalizada.
E os aliados do presidente Amadeu Rodrigues reagiram.
De acordo com Nosman Barreiro, o presidente deveria ter lhe passado o cargo quando viajou para a França, para onde foi como chefe da delegação da CBF no Torneio de Toulon, disputado pela Seleção Sub-20.
Como isso não aconteceu, a entidade teria ficado acéfala, de forma que ele poderia requerer o cargo que tinha ficado vago.
Amadeu, obviamente, discorda de seu vice.
Diz que tudo não passa de mais uma tentativa de seu ex-aliado de assumir o poder à força e que tinha deixado com o seu diretor jurídico, Marcos Souto Maior Filho, uma procuração que lhe transmitia provisoriamente o cargo de presidente.
Ele diz que está voltando imediatamente à Paraíba para reassumir o seu cargo.
Amadeu Rodrigues e Nosman Barreiro foram eleitos presidente e vice-presidnete da FPF respectivamente em 12 de dezembro de 2014, com 52,85% dos votos, em uma chapa apoiada pela ex-presidente Rosilene Gomes, que tinha sido afastada do cargo meses antes.
Eles tomaram posse em 2 de janeiro do ano seguinte.
Entretanto, Nosman conta que quatro meses depois os dois romperam relações e, por isso, ele se manteve afastado da entidade.
(Por Phelipe Caldas, João Pessoa)
(Todos os créditos: Cadu Vieira, Phelipe Calodas/Globo Esporte PB)
Fotos: Cisco Nobre

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