domingo, 10 de setembro de 2017

AÇUDE DE BOQUEIRÃO ESTÁ COM 8,5% E SAI DO “ESTACIONAMENTO”; ESPECIALISTA FALA AO WWW.RENATODINIZ.COM

(Isnaldo Cândido: especialista em recursos hídricos)
Dados oficiais do DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contras as Secas – são de que o Açude Epitácio Pessoa amanheceu neste domingo (10/09) com 8,5% de volume de água.
É um bom sinal após uma semana “turbulenta” em que o açude estacionou em 8,4%.
Foi uma semana de críticas, discussões, desconfianças, desmentidos e acusações.
Nunca o Açude de Boqueirão tinha sido motivo de tanto “assunto” como nos últimos dois meses.

O www.renatodiniz.com conversou sobre o Epitácio Pessoa com o engenheiro agrônomo Isnaldo Cândido*, especialista em recursos hídricos.
Isnaldo, alheio a discussão política, emitiu sua opinião técnica em relação a toda celeuma.
O VOLUME ESTACIONADO
Inicialmente temos que analisar vários parâmetros:
1º- A questão da liberação que o ministério da integração vem fazendo nos últimos dias.
Se ocorreu uma diminuição (a gente recebeu essa informação que sim) como a vazão de Monteiro, por exemplo, obviamente que teremos uma diminuição do volume de água chegando no Epitácio Pessoa, quando a gente faz a litura ‘lá’ na régua milimétrica.
2º- Dentro deste contexto também o que é que tem que se analisar:
Quais as demandas que estão outorgadas?
E pelo que temos conhecimento são os 500 irrigantes (ninguém sabe se este número é real).
E é preciso que a AESA e a ANA – Agência Nacional das Águas – façam essa fiscalização para ver se tudo está sendo feito de maneira correta e dentro do permitido no que diz respeito ao uso da água para eles.
Temos que ver também se não está havendo desvio, como diz o procurador de justiça Agnelo Amorim: ‘a evaporação noturna’.
Nos anos de 1998 e 1999 nós enfrentamos esse furto água.
Então são situações que têm de ser fiscalizadas”.
É PREOCUPANTE O AÇUDE FICAR “ESTACIONADO”?
“Eu diria que não tanto, pois hoje temos dois cenários:
1º - Um cenário de um açude que não tinha nenhuma fonte de água para receber e era um rio intermitente.
Hoje nós temos um rio que está perenizado (Rio Paraíba).
2º - Existem seis estações de bombeamento que fazem este controle da vazão e de um momento para outro pode ser aumentada esta vazão”.
É PRECIPITADO PEDIR A VOLTA DO RACIONAMENTO?
Eu analiso da seguinte forma: muita gente acha ou achou que as águas do Rio São Francisco iriam encher o açude. Isto não existe.
O que eu tenho ‘batido na tecla’ é que nós temos hoje um rio perenizado e a AESA e a ANA precisam controlar todas as outorgas para que as demandas no trecho entre Monteiro e Boqueirão não venham comprometer a questão do abastecimento não só de Campina, mas nos demais 17 municípios e os sete distritos.
Eu mesmo, neste momento, tecnicamente, não teria liberado para irrigação.
Obviamente era para deixar passar essa primeira parte da liberação da água para as cidades e distritos.
Estamos, de certa maneira, numa fase de testes.
Creio que um mês ou dois meses a mais não iria causar tanto problema ou afetar os irrigantes.
Falo isto de maneira técnica”.
CASO NÃO TENHAMOS UM BOM PERÍODO DE INVERNO O QUE PODE OCORRER COM O BOQUEIRÃO?
Nós temos um cenário de setembro, outubro, novembro e dezembro que normalmente é um período que não chove e a demanda por água é alta, mas temos um cenário que tem água no Rio Paraíba.
Outro cenário é que o próprio Lago de Itaparica (entre Pernambuco e Bahia), em torno de 17% de sua capacidade, pode ter seu volume aumentado, segundo o ministério da integração.
É preciso ver que temos uma água que está ali chegando.
Ou pouca ou muita, ela está chegando.
Boqueirão não está apresentando um lado negativo.
O DNOCS continua fazendo seu monitoramento nas réguas milimétricas.
Na hora que a vazão aumentar, o volume aumenta.
Planejamento e gestão também são muito importantes em toda esta situação”.
*Isnaldo Cândido é natural de Campina Grande e durante 39 anos foi servidor do estado da Paraíba.
Dedicou 20 ao Laboratório de Recursos Hídricos e Sensoriamento Remoto.
Dirigiu também a gerência regional da AESA – Agência Executiva de Gestão das Águas – em Campina Grande.
Coordenou ainda o Programa Água Doce de Dessalinização.

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