domingo, 18 de março de 2018

MBL E DEPUTADO PROPAGAM MENTIRAS EM CAMPANHA DIFAMATÓRIA CONTRA MARIELLE FRANCO

Nas 19 horas que se seguiram à morte de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, mais de meio milhão de tuítes circularam mencionando o assassinato da vereadora do PSOL, de acordo com estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Dapp).

Do total, 88% eram mensagens de apoio e luto e apenas 7% fizeram uso da redes para criticar o PSOL, a esquerda e ativistas dos direitos humanos em geral como "defensores de bandidos". 
Passados alguns dias, o panorama evoluiu. 
Alguns atores da direita radical, incluindo o MBL (Movimento Brasil Livre) e o deputado da bancada da bala Alberto Fraga (DEM), passaram a protagonizar uma ativa campanha difamatória contra Marielle Franco. 
Não se trata de questionar visões de mundo ou até mesmo criticar a comoção com o crime político, posições esperadas num debate. 
O que foi ativado foi uma fábrica de informações falsas e boatos que aludem, sem qualquer base factual, ao envolvimento da vereadora com "bandidos".
Um dos focos para a propagação das notícias falsas foi a desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Marília Castro Neves, uma das pessoas a disseminar uma acusação sem provas sobre vereadora. 
Ela afirmou, em um comentário no Facebook, que Marielle Franco "estava engajada com bandidos" e "não era apenas uma lutadora". 
Segundo a desembargadora, "a tal Marielle descumpriu 'compromissos' assumidos com seus apoiadores", que, segundo Marília, seriam do Comando Vermelho.
O comentário se espalhou na Internet em poucas horas e fez com que um grupo de advogados começasse uma campanha, também nas redes, para que a desembargadora seja denunciada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por ter atacado, sem embasamento, a reputação de Marielle Franco. 
Após o episódio, a desembargadora disse à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que apenas tinha dado a sua opinião como "cidadã". 
Ela explicou ainda que nunca tinha ouvido falar de Marielle até a notícia da morte. 
"Eu postei as informações que li no texto de uma amiga", afirmou ao jornal.
A minha questão não é pessoal. Eu só estava me opondo à politização da morte dela”, afirmou a desembargadora a Folha de S. Paulo. 
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – do qual Marielle fazia parte – anunciou que abrirá uma ação criminal por calúnia e difamação contra a juíza, além de fazer uma representação oficial ao CNJ.
Num mecanismo típico de como funcionam as engrenagens das fake news, o MBL usou a declaração assumidamente sem embasamento da desembargadora em uma postagem em seu site. 
O grupo publicou na página do Facebook uma matéria titulada: "Desembargadora quebra narrativa do PSOL e diz que Marielle se envolvia com bandidos e é 'cadáver comum' ". 
Na chamada o MBL ressaltou: "Isso é complicado. Bem complicado... ". Até as 17h00 deste sábado (17/-3), o post do movimento já tinha mais de 38 mil curtidas e 28 mil compartilhamentos.
Na noite de sexta-feira, o deputado Alberto Fraga, presidente do DEM no Distrito Federal e presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, também resolveu usar informações falsas na campanha contra a vereadora. “Conheçam o novo mito da esquerda, Marielle Franco. Engravidou aos 16 anos, ex-esposa do Marcinho VP, usuária de maconha, defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho, exonerou recentemente 6 funcionários, mas quem a matou foi a PM”, escreveu no Twitter. 
Na manhã deste sábado, o tuíte de Fraga já tinha mais de mil curtidas e centenas de compartilhamentos, mas acabou sendo deletado. 
No início da tarde, o deputado escreveu que o assunto tinha gerado muita polêmica. 
"Vamos deixar a Polícia trabalhar e com certeza essas acusações, de ambos os lados, serão sanadas. Como prova, vou retirar o post", disse.
Ainda que há dias a biografia de Marielle esteja nos jornais, o Aos Fatos, (site de checagem de notícias), explicou ponto a ponto as informações inverídicas ou sem qualquer evidência usadas: Marielle nunca foi casada com nenhum ex-traficante. 
A vereadora tinha 38 anos de idade, era casada com Mônica Benício e tinha uma filha de 19 anos, chamada Luyara Santos. Isso significa que ela engravidou entre os 18 e 19 anos - e não aos 16. 
Ainda segundo o site de checagem, não há qualquer nexo entre a disputa de territórios do Comando Vermelho na Maré e a eleição de Marielle. 
A vereadora foi eleita com 46.500 votos, dentre os quais apenas 1.600 foram de eleitores da Maré e arredores.
ENTENDA O CASO
Defensora dos direitos humanos e crítica da atuação de policiais que agem fora da lei, Marielle voltava de um evento no bairro carioca da Lapa quando foi alvo de disparos. 
O crime aconteceu nesta quarta-feira, 14 de março, na rua Joaquim Palhares, no Estácio, e o motorista Anderson Gomes, que estava com ela, também foi assassinado a tiros. 
No segundo dia de investigações, a perícia concluiu que o lote de munições utilizados no crime teria sido vendido para a Polícia Federal em Brasília.
A polícia trabalha com a hipótese de que o assassinato foi uma execução. Ainda não foi divulgada nenhuma informação sobre os assassinos e não se sabe nem quantos participaram da ação.
(Heloisa Mendonça/El País)

Um comentário:

  1. Parece que ser militante de partido de extrema esquerda coloca a pessoa a um nível superior aos demais mortais desse país. De 2016 pra cá mais de 200 vereadores foram assassinados mas, parece que a vida deles(e de tantos outros brasileiros que são
    vítimas todos os dias)não têm importância.

    ResponderExcluir