quinta-feira, 24 de maio de 2018

O QUE QUEREM OS CAMINHONEIROS EM GREVE?


A greve dos caminhoneiros está em seu quarto dia, com consequências concretas para o cotidiano das pessoas em todo o país.
Mas, afinal, o que eles estão pedindo?
Uma dica: não é a renúncia do presidente Michel Temer.

Segundo o documento oficial do chamamento de greve, postado no site da Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam), o principal propósito da paralisação é tornar o óleo diesel (combustível de veículos pesados) isento de impostos.
Isso significa o fim das alíquotas do PIS (Programa de Intervenção Social) e do Cofins (Contribuição para o Orçamento da Seguridade Social).
Diante da pressão dos trabalhadores, a Câmara dos Deputados aprovou, ontem, uma medida que vai gradualmente zerar a cobrança desses impostos sobre o óleo diesel até o final do ano.
Mesmo assim, os caminhoneiros avisaram que a greve só termina após a publicação da decisão no Diário Oficial.
Durante a votação, os deputados disseram que a isenção da alíquota levaria a uma queda de cerca de 3 bilhões de reais na arrecadação.
Mais tarde, a Receita teve que corrigir o cálculo, e anunciou que o prejuízo para o governo seria de 14 bilhões de reais.
O governo também usou sua influência na Petrobras para reduzir o preço do combustível e prometer um congelamento por 15 dias. 
O preço do combustível caiu 10% hoje, no terceiro corte seguido, e deve ficar em 2,1016 reais por litro pelas próximas duas semanas.
Depois disso, a empresa volta a seguir a cotação de mercado.
Outro ponto da pauta é a isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para o diesel que será comercializado, dentro do território nacional, para transportadores autônomos.
O meio rodoviário de transporte é responsável por 65% da circulação de toda a carga que é transportada no Brasil, segundo levantamento apresentado por pesquisadores da FGV e Ipea durante evento do setor ferroviário no início do mês.
PROPOSTAS
Os caminhoneiros também apresentam duas propostas para o governo Temer.
Uma delas é a criação de um sistema de subsídio para aquisição de óleo diesel por parte dos transportadores autônomos.
Outra é a fundação de um “Fundo de Amparo ao Transportador Autônomo destinado ao custeio de um programa para aquisição de óleo diesel, sendo a sua principal fonte de recursos composta por qualquer contribuição que o governo federal achar conveniente”.
BOATOS
A comoção com a greve fez multiplicar o número de boatos divulgados pelas redes sociais.
Uma corrente no WhatsApp, por exemplo, fala que os caminhoneiros estão pedindo isenção de pedágio, melhores condições das estradas, renúncia dos presidentes da República, Câmara, e Senado e eleições antecipadas.
Nada disso é verdade.
O site de checagem boatos.org também identificou outra notícia falsa sobre o tema: a de que o presidente Michel Temer teria ironizado os caminhoneiros e dito para que eles voltassem ao trabalho.
(Exame.com/Luiza Calegari)

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