Novas regras permitem plantio controlado,
ampliam formas de uso e podem revolucionar tratamento de doenças crônicas e
produção agrícola nacional.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (28/01) mudanças históricas na
regulamentação da Cannabis medicinal no Brasil.
As novas resoluções expandem as formas de
uso terapêutico, autorizam a venda de canabidiol em farmácias de manipulação e
estabelecem regras para o cultivo nacional da planta para fins medicinais e de
pesquisa.
A resolução aprovada amplia
significativamente as possibilidades de tratamento com Cannabis.
Agora, medicamentos de uso bucal,
sublingual e dermatológico poderão ser comercializados no país.
Anteriormente, apenas produtos para uso
oral e inalatório eram permitidos pela agência reguladora.
A medida também flexibiliza o acesso a
produtos com concentração de THC (tetrahidrocanabinol) acima de 0,2% para
pacientes com doenças debilitantes graves.
Antes restrita a casos paliativos ou
terminais, a nova regra pode beneficiar pessoas com condições como dor
neuropática crônica, segundo análises técnicas da Anvisa.
Em cumprimento a determinação do Superior
Tribunal de Justiça (STJ), a Anvisa deve votar três resoluções que regulamentam
o plantio de Cannabis no Brasil.
O prazo estabelecido pela Justiça é março
de 2025 para apresentação do regulamento completo.
AS NOVAS NORMAS ESTABELECEM
CRITÉRIOS RIGOROSOS DE CONTROLE:
Plantas para produção medicinal
devem apresentar teor de THC igual ou inferior a 0,3%;
Cultivo obrigatoriamente em locais
controlados com coordenadas georreferenciadas;
Estimativa de produção e planos de
segurança para evitar desvio de produtos;
Para pesquisas, não há limite de
THC, mas exige-se monitoramento por câmeras e controle rigoroso de acesso.
A Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) já recebeu autorização em novembro de 2025 para realizar
pesquisas com a planta.
IMPACTOS NA AGRICULTURA BRASILEIRA
A liberação do cultivo de Cannabis
medicinal pode representar uma oportunidade estratégica para o agronegócio
brasileiro.
O país, reconhecido mundialmente por sua
expertise agrícola e condições climáticas favoráveis, poderá desenvolver uma
nova cadeia produtiva regulamentada.
BENEFÍCIOS POTENCIAIS PARA A
AGRICULTURA:
Diversificação de culturas e
geração de renda para produtores rurais;
Desenvolvimento de tecnologia
agrícola nacional para cultivo especializado;
Redução da dependência de
importações de medicamentos canabinoides;
Criação de empregos na cadeia
produtiva, desde o plantio até a industrialização;
Impulso à pesquisa agropecuária com
apoio de instituições como a Embrapa;
Atração de investimentos em
biotecnologia e farmacologia vegetal;
A testagem controlada em pequena
escala, incluindo associações de pacientes, permitirá avaliar a viabilidade
técnica e econômica do cultivo nacional antes da expansão comercial.
MERCADO
Segundo dados divulgados pela Anvisa em
dezembro, existem atualmente 33 produtos de canabidiol e 16 extratos de
Cannabis autorizados para venda no Brasil.
Muitos pacientes, no entanto, ainda
dependem da importação excepcional de medicamentos não avaliados pela agência
ou de autorizações judiciais para cultivo próprio.
As mudanças regulatórias prometem ampliar
significativamente o acesso aos tratamentos, reduzir custos para pacientes e
impulsionar a indústria farmacêutica nacional voltada para produtos de origem
vegetal.
A Anvisa mantém a regulamentação desde
2015, quando autorizou a primeira importação excepcional de produtos à base de
Cannabis.
O marco regulatório de 2019, agora
atualizado, permitiu o registro de terapias para venda em farmácias – um avanço
histórico que se consolida com as decisões desta quarta-feira.
(Por Henrique Rodarte – Agro em Campo/ig)

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