domingo, 11 de janeiro de 2026

MORRE EM ACIDENTE, EM GALANTE, RELIGIOSA REFERÊNCIA NA DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS NA AMAZÔNIA

Um acidente, por volta das 17h30 deste sábado (10/01), na BR-230, entrada do Distrito de Galante, em Campina Grande/PB, resultou na morte da freira Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, de 64 anos, que presidia o Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona, no estado do Pará.

Ela morreu no local.
O corpo ficou preso às ferragens.
O acidente ocorreu no sentido Campina/João Pessoa.
Foi um capotamento envolvendo um veículo Fiat.
Outros três ocupantes do veículo estão internados (estáveis) no Hospital de Trauma de Campina Grande.
O corpo de Irmã Henriqueta, como ela era conhecida, será trasladado até Belém, onde vai ser velado; depois, levado a Soure, no Marajó, onde deve ser sepultado.
Segundo as informações iniciais, a condutora perdeu o controle da direção na curva de Galante, o carro colidiu com um barranco e capotou.
A mulher, que seria esposa de um policial federal, teria se recusado fazer o teste do bafômetro.
Já Irmã Henriqueta estaria do banco de trás do veículo sem o cinto de segurança, segundo um médico do SAMU que prestou socorro às vítimas.
QUEM ERA MARIE HENRIQUETA, RELIGIOSA QUE ENFRENTOU REDES DE EXPLORAÇÃO INFANTIL*
Irmã Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, de 64 anos, referência na defesa dos direitos humanos, teve atuação marcante no combate às redes de exploração sexual infantil no arquipélago do Marajó, no Estado do Pará.
Reconhecida nacionalmente, a religiosa dedicou sua trajetória ao enfrentamento do tráfico de pessoas, da violência contra mulheres e da exploração sexual de crianças e adolescentes, tornando-se símbolo de resistência em uma das regiões mais vulneráveis da Amazônia.
Católica, ela presidia o Instituto de Direitos Humanos Dom José Luís Azcona, entidade criada em homenagem ao bispo emérito do Marajó, falecido em 2024.
Há mais de uma década, Henriqueta integrava o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e vivia sob escolta policial em razão das ameaças decorrentes de sua atuação.
Em novembro de 2025, a defensora foi uma das homenageadas na edição especial Amazônia do prêmio Mulheres Inspiradoras do Ano, reconhecimento à sua trajetória e ao impacto de seu trabalho na proteção de crianças, adolescentes e mulheres em contextos de extrema vulnerabilidade.
A trajetória e a luta de irmã Henriqueta também inspiraram o cinema.
O filme “Manas” teve como referência a atuação no enfrentamento à exploração sexual no Pará, e a religiosa colaborou diretamente com a produção do longa.
A personagem da delegada Aretha, interpretada por Dira Paes, foi construída a partir desse contexto de combate às violações de direitos.
Na estreia do filme, em Belém, em abril de 2025, irmã Henriqueta afirmou que se emocionava ao ver a temática ganhar visibilidade nas telas e alcançar um público mais amplo.
HOMENAGEM
A atriz Dira Paes usou as redes sociais para lamentar a morte da Irmã Henriqueta e prestar homenagem à defensora dos direitos humanos.
Dona de um dos abraços mais afáveis, uma confiança que motivava e uma força que se reconhecia só de olhar”, escreveu a artista.
Me despeço da minha amiga Irmã Henriqueta, uma heroína brasileira que dedicou sua vida em defesa dos direitos das crianças e adolescentes. Entre muitos dos seus feitos incansáveis pelos direitos humanos, ela foi fundadora do @institutodomazcona e foi a inspiração para a minha personagem Aretha em @manasfilme. […] Era amada por todos nós, e amava todos aqueles que ela reconhecia como pares de sua luta incondicional pelo amor à vida”, escreveu a artista.
O governo federal, por meio do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, divulgou nota de pesar pela morte de irmã Henriqueta.
No comunicado, a religiosa é definida como “referência histórica na defesa dos direitos humanos no Brasil, especialmente na proteção de crianças e adolescentes na Amazônia”.
Com trajetória marcada pelo compromisso ético, pela coragem e pela atuação direta junto às populações mais vulnerabilizadas, Irmã Henriqueta dedicou sua vida ao enfrentamento da violência sexual, da exploração de crianças e adolescentes e de outras graves violações de direitos, com atuação reconhecida nacional e internacionalmente. No estado do Pará, foi uma liderança fundamental na articulação de redes de proteção, no diálogo com instituições públicas e na mobilização da sociedade civil“, diz trecho da nota.
Com o falecimento da irmã Henriqueta, o Governo do Pará decretou luto de três dias.
Em um comunicado oficial, o Executivo estadual afirmou que, por meio do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), tem prestado todo apoio ao translado do corpo da vítima até a capital Belém e posteriormente, até Soure, no Marajó, onde deve acontecer o sepultamento.
*Revista Cenarium
(Por www.renatodiniz.com)

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