quarta-feira, 27 de setembro de 2017

UM SIMPLES HERÓI DAS SALAS DE AULA SE APOSENTA. CONHEÇA A HISTÓRIA DO PROFESSOR AFONSO

Quando defendeu sua monografia para concluir Pedagogia pela Universidade Federal de Campina Grande, o professor Afonso José dos Santos Farias foi chamado de herói pelo seu orientador.
Você pode até nem conhecer o professor Afonso, mas é a história de alguém que se encaixa muito bem com história daquelas pessoas que nos ensinaram a ser alguém na vida.
Estou falando de um professor negro, filho de agricultores que teve uma infância extremamente difícil, mas que travou uma luta contra o preconceito e hoje (27/09) após 35 anos em sala de aula entra para o grupo dos professores aposentados.
Dever cumprido!

(Escola Antônio Flor: de aluno à professor)
Por ele passaram cerca de 5 mil  de alunos das escolas públicas de Lagoa Seca e Montadas.
A partir de meados de 1980 já estava nas salas de aula das escolas das duas cidades, sendo o primeiro professor do sexo masculino dos estabelecimentos destes municípios.
(Escola Antônio Anacleta)
Afonso é Puxinanã.
Nada foi fácil.
Ele foi aluno professoras desbravadoras.
Fui aluno de professoras exigentes, disciplinadoras e rigorosas”.
Uma delas, em Puxinanã, chegou a ter nove abortos.
Ela foi um exemplo de superação, determinação e dignidade. Ensinou-me muito”.
A primeira escola que frequentou foi a Dr. Antônio Coutinho no sítio “Caxangá”, em Puxinanã, em 1966, onde aprendeu as letras na “Cartilha do ABC”.
Estudava pela manhã e a tarde já estava na enxada, na roça.
Em Lagoa Seca estudou na escola Antônio Anacleto, no sítio “Campinote de Cima”.  
Tinha que ser assim: os tempos não eram para brincadeiras.
Em 1972, já morando em Montadas, estudou na escola Antônio Flor de Araújo, no sítio “Furnas”, onde anos mais tarde entrou novamente na sala de aula como professor.
Foi um momento de muita emoção. Começava ali a minha história como professor”.
Com meu primeiro salário comprei meu primeiro veículo: uma bicicleta. Ela foi minha companheira durante anos”.
A escola hoje não existe mais, assim como a que ele estudou em Puxinanã.
Em Campina Grande o professor estudou no estadual Anésio Leão, na Palmeira.
Sofri muito e por causa das dificuldades desisti do Anésio. Fiz o supletivo no Estadual da Prata, mas tudo continuava difícil. O que me estimulava era o desejo de vencer”.

Para se ter uma ideia, na UFCG enfrentou cinco greves até concluir o curso em 2008.
Lá também não muito fácil. Imagina ai: eu negro e pobre chegava a Universidade Federal em ônibus da prefeitura de Montadas. Alguns me olhavam atravessado e eu atravessei um mundo para que as pessoas me olhassem como eu sou. Eu sou um professor”.
Hoje tudo é muito fácil. Escolas não faltam, bons professores não faltam. Falta interesse do aluno. Muitos dos meus ex-alunos foram mortos, outros estão presos envolvidos com crimes e isso me decepciona, porém existe uma grande parcela de ex-alunos que seguiu em frente, à retidão. Hoje são profissionais de várias áreas e isto me orgulha”.
Minha primeira professora foi Maria Madalena da Costa Pereira. Em nome dela quero agradecer a todos os outros que me fizeram ser o que sou com muito orgulho. Nasci para ser professor”. 

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