quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

EM CAMPINA: ASSASSINAS DE MENINA DE DEZ ANOS VÃO SER JULGADAS NESTA QUINTA-FEIRA; VÍTIMA FOI TORTURADA E TEVE O CORPO QUEIMADO

("Bruna Valeska")

Nesta quinta-feira (04/12) no Fórum Affonso Campos acontece um dos mais importantes julgamentos do ano em Campina Grande.
Sentarão no banco dos réus três mulheres acusadas de um dos crimes mais cruéis e covardes já ocorridos na cidade.
Maria Cristina Vieira dos Santos Martírios (“Bruna Valeska”), Maria da Guia Venâncio e Alzicleide Diniz da Silva são acusadas de assassinar Midiã Emanuele Nunes de Andrade, de 10 anos.
(Alzicleide Diniz)
A menina foi espancada até a morte, ainda foi queimada viva com álcool e teve o corpo jogado em um terreno baldio no Bairro Liberdade.
O crime aconteceu em outubro de 2010 e em 2013 foi elucidado.
Um homem também participou da barbárie.
Trata-se de Wedson Gomes de Andrade.
(Maria da Guia)
Ele teve o processo desmembrado, pois a defesa sugeriu que o acusado tinha problemas mentais.
Realizados os exames, o resultado deu negativo (ele não tem nada de louco) e vai a júri em outra oportunidade.
(Wedson Gomes)
O julgamento das mulheres, que estão em um presídio em Cajazeiras, no Sertão, tem início às 09h00 e será presidido pelo juiz Falkadre de Souza Queiróz.
O ministério público será representado pelo promotor Osvaldo Barbosa.
Nas defesas atuarão os advogados Tadeu Licarião Nogueira, Álvaro Gaudêncio Neto e Milton Aurélio.
O promotor Osvaldo Barbosa no WhatsApp se expressou: "eu considero esse um dos crimes mais bárbaros que eu tenho conhecimento nesses meus 27 anos de promotor de justiça..." 
ENTENDA O CASO
Midiã Emanuele de Andrade e a irmã dela foram adotadas por Maria Cristina Vieira dos Santos Martírios, cinco anos atrás.
A mãe biológica das meninas não tinha condições de criar as filhas.
De acordo com a polícia, a fragilidade e o perfil social facilitaram a adoção irregular das crianças.
“Bruna Valeska” mantinha uma relação homossexual com Alzicleide Diniz.
Ainda na residência do casal, moravam Maria da Guia e Wedson Gomes.
Quase que diariamente as meninas eram espancadas e mantidas encarceradas.
Midiã, de tanto sofrer, começou a ficar rebelde.
Essa atitude foi o suficiente para “Bruna Valeska” encontrar a “solução”, ou seja: tramou sumiço da criança.
No dia da morte, Mídiã comeu escondida, um biscoito.
Isto foi à gota d’água.
O CRIME  
“Bruna Valeska” mandou “Guia” comprar álcool.
A menina foi espancada, jogada no chão e teve o corpo queimado quando ainda estava viva.
Ela morreu carbonizada no banheiro.
A OCULTAÇÃO DO CADÁVER
Depois de 24h da morte, o corpo foi colocado em uma caixa de papelão e jogado em um matagal próximo a linha férrea na Liberdade.
“Quando eles deixaram o corpo na linha do trem, atearam fogo novamente no cadáver para apagar as impressões digitais”, disse a delegada Alba Tânia.
O cadáver foi encontrado no dia seguinte, mas como não havia boletim de ocorrência, registrando o desaparecimento da menina, qualquer investigação mais profunda na época, foi em vão.
Ninguém reclamou o desaparecimento.
O DESFECHO
A partir do final de 2012 começaram a surgir pistas.
O crime foi presenciado pela irmã da vítima que foi pressionada a não comentar o assassinato.
“A menina viu Midiã sendo morta pelas mulheres. Como ela ficou com medo de morrer e sofrendo ameaças ficou calada por dois anos. No entanto a garota conseguiu fugir de casa, procurou um orfanato e pediu ajuda”.
A direção do orfanato comunicou o caso à Polícia Civil.
Numa investigação criteriosa, silenciosa e extremamente responsável o crime foi desvendado.
Foi colhido material genético da vítima e confrontado com o da mãe biológica.
Ficou comprovado que o corpo encontrado era da menina que “Bruna Valeska” tinha a guarda.
AS PRISÕES
Os envolvidos foram presos em Campina Grande e Alagoa Nova no dia 17 de fevereiro do ano passado, mediante mandados da justiça.
A polícia teve dificuldade de chegar aos acusados porque eles mudavam de residência constantemente.
A PARTICIPAÇÃO DE CADA UM
Maria Cristina dos Santos Martírios:
Planejou e executou o crime.
Mandou comprar álcool no posto de gasolina.
Jogou na menina, riscou o fósforo e a trancou no banheiro, depois mandou colocar o corpo na casinha de cachorro no quintal e posteriormente na linha do trem.
Wedson Gomes de Andrade
Retirou a menina do banheiro e colocou na casa do cachorro.
No dia seguinte colocou o corpo em uma caixa de papelão, amarrou, levou para a linha férrea onde colocou mais fogo para apagar as digitais.
Alzicleide Diniz da Silva
No dia do crime agrediu fisicamente a menina e ajudou na ocultação.
Maria da Guia
Comprou o álcool, e também levou o corpo até a linha férrea.