quarta-feira, 26 de abril de 2017

PROFESSORA DE ESCOLA MUNICIPAL DE CAMPINA RECEBE CONVITES DE SEIS PAÍSES PARA APRESENTAÇÃO DE TESE DEFENDIDA EM SEU DOUTORADO

A professora  Sonaly Duarte de Oliveira, doutora da Escola Municipal Padre Antonino, em Campina Grande e da Unesc Faculdades, do curso de Ciências Contábeis, e seu orientador professor doutor Vicente de Paulo Rodrigues da Silva, do curso de Meteorologia da UFCG, receberam convites para apresentar o artigo da sua tese de doutorado intitulado  Virtual water and water self-sufficiency in agricultural and livestock products in Brazil” (“Auto-suficiência de água virtual em produtos agropecuários no Brasil”).

O artigo foi publicado in Journal of Environmental Management (EUA).
O convite é para seis países: Malásia, França, Alemanha, China, Estados Unidos e Inglaterra.
Orientada por Vicente de Paulo Rodrigues da Silva, Sonaly Duarte de Oliveira defendeu sua tese em Meteorologia em 2015, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) com o tema “Fluxo de Água Virtual no Brasil” e impressionou por sua excepcionalidade.

Ela se mostrou surpresa com os convites para apresentar sua tese mundo afora e revelou que é muito bom ter seu trabalho reconhecido além das fronteiras do Brasil.
Recebi com bastante surpresa os convites. Para mim é surreal e não imaginei que pudesse ter meu trabalho reconhecido mundo afora. Só posso agradecer a Deus, meu orientador e aos meus esforços”, destacou.
Os professores doutores Vicente de Paulo Rodrigues da Silva e Sonaly Duarte de Oliveira também fazem parte do grupo de Pesquisa Pegada Hídrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
ENTENDA
Você já parou para pensar que grande parte do que consumimos utiliza água na sua composição, embora não vejamos?
Você já imaginou o volume de água embutido nesses produtos? Objeto de pesquisa de uma tese de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) que teve repercussão internacional, essas questões sobre a chamada “água virtual” contida nos produtos agrícolas que consumimos também trazem à tona uma outra questão muito debatida nos dias atuais, diante da importância dessa temática: a transferência de recursos hídricos de um país para outro.
Desenvolvido pela estudante Sonaly Duarte de Oliveira, sob a orientação do professor Vicente de Paulo Rodrigues da Silva, o trabalho quantifica o volume de água virtual contido emcommodities dessa natureza, exportado pelo Brasil para os principais países do mundo de todos os continentes.
Foram analisados 24 produtos agrícolas e agropecuários, e o relevante da pesquisa, segundo o professor, não é o peso do produto, mas sim o total de água contida nele, uma vez que cada produto acumula uma quantidade diferente de água.
A água virtual não é visível, porém, está presente em todos os produtos que consumimos, pois eles precisam dela para serem fabricados. Por exemplo, num quilo de carne estão embutidos cerca de 15 mil litros de água na sua produção; no queijo, 5 mil litros; numa camiseta, 2,5 mil litros; num copo de cerveja 75 litros; num único pão, 40 litros; e assim por diante”, destaca Vicente, lembrando que a carne e o queijo são as mercadorias agrícolas exportadas pelo Brasil que mais contém água virtual.
A pesquisa constatou que o País exporta o equivalente a 54,8 bilhões de metros cúbicos por ano em forma de água virtual contida apenas em commoditiesagrícolas.
A Europa é o maior importador de água virtual em mercadorias dessa natureza do Brasil, com exportações brutas de 27,7 bilhões de metros cúbicos por ano, o que corresponde a 41% do valor total da exportação de água pelo País.
Para se ter uma ideia da dimensão do volume exportado, o professor lembra que o reservatório de Sobradinho, localizado na região Nordeste do Brasil, é o 12º maior lago artificial do mundo e a sua capacidade de armazenamento de água é de 34,1 bilhões de metros cúbicos, bem inferior às exportações de água virtual do Brasil.
Os países com baixa disponibilidade hídrica, como o Iémen, apenas importam água virtual. Já o Brasil, que tem alta disponibilidade hídrica, é um dos maiores exportadores de água no mundo. Isso tem um impacto direto para a população e a economia brasileira, uma vez que trata da transferência de recursos hídricos de um país para outro, mesmo de forma virtual”, explica.
A tese de doutorado já vem dando frutos: gerou a publicação do artigo científico intitulado "Água virtual e autossuficiência hídrica em produtos agropecuários no Brasil”, destaque na revista internacionalJournal of Environmental Management, no mês de novembro do ano passado.
Em face da repercussão do tema e da relevância da pesquisa para muitos países com os quais o Brasil mantém relações comerciais, o professor e sua orientada estão com a agenda lotada até o final de novembro: foram convidados para proferir palestras nos Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, China e Malásia.
(Blog da Simone Duarte)

Um comentário:

  1. Seria legal se a prefeitura municipal de Campina Grande reconhecesse seus professores e os pagassem melhor. Um professor com doutorado da pmcg não ganha nem 3 mil reais mensais.

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