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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

ENTREVISTA COM O MAJOR GILBERTO: ELE COMENTA SOBRE A SEGURANÇA EM CAMPINA, POLÍCIA E JUDICIÁRIO, POLÍCIA E IMPRENSA, ENTRE OUTROS ASSUNTOS


MAJOR GILBERTO FELIPE:
“QUANDO VESTIMOS A NOSSA FARDA ELA PASSA A SER A NOSSA PELE”  
O major Gilberto Felipe da Silva, de 45 anos, completou no último dia 28 de novembro  um ano no comando do 2ºBPM.
Gilberto é natural de São Vicente do Seridó/Curimataú paraibano e é formado em jornalismo pela UEPB.
Na última sexta-feira (27/11) o comandante conversou por 47 minutos com o www.renatodiniz.com.
Gilberto Felipe falou sobre vários assuntos.
Ele deixa claro que não é simpático ao fato de o porte ilegal de arma ser um crime afiançável.
O major comenta sobre a questão da segurança em Campina Grande.
O comandante comentou ainda sobre mal entendido sobre o tema “a polícia prende e ajustiça solta”.
Segundo ele, houve uma interpretação indevida.
ACOMPANHE A ENTREVISTA...

COMO É ENCARAR O FATO DE HOJE O SENHOR SER A VIDRAÇA E RECEBER OS ARREMESSOS DE PEDRAS?
“Inicialmente eu digo que a questão de segurança e combate a violência não é uma questão isolada da polícia. São vários órgãos envolvidos. Cada um tem uma função específica. E ainda: os índices de violência em Alagoas, Bahia, Ceará são alarmantes. Quanto à Paraíba, ela tem pontuado em termos de reduções. No Segundo Batalhão, por exemplo, os números são exitosos. Quanto aos ‘arremessos de pedra’ eu digo que são direcionados as árvores que dão frutos e nós sabemos que muitas vezes esses arremessos têm motivações diversas: desde a mesquinharia da política partidária (isso envolve outros sentimentos dos quais não são nada nobres e faz com que alguém lance críticas gratuitas). Uma coisa é reconhecer que há índices violência a exemplo de outros estados. Outra coisa é você focar indevidamente e de forma injusta agredir o órgão policial como se ele fosse o único responsável para arrefecer a violência. Quando não é! Na verdade é um dos órgãos que mais estão trabalhando”.
O SENHOR IMAGINOU QUE HOUVESSE TANTA COBRANÇA?
“Nossa tropa tem uma maturidade digna de elogio. Nós diuturnamente velamos para a segurança do cidadão. Mas somos conscientes que não somos o único órgão responsável pela segurança pública. Nós perseguimos este objetivo que é a paz pública. Nós temos em mente que esta é uma função nobre da polícia. É interessante saber que há toda uma panaceia de sistemas que fazem a segurança pública. Lógico, os olhos estão voltados para a polícia; a flechas são lançadas na polícia. O importante é dizer que segurança pública não envolve só especificamente a polícia. A constituição em seu Artigo 114 frisa que ‘embora dever do estado, a segurança é responsabilidade de todos’. Então essa responsabilidade é de todos. A partir do momento em que temos uma legislação falha; uma lei que permite a um agressor ‘entrar preso’ por porte ilegal de arma, pagar uma fiança e voltar às ruas, isso é um impulso a impunidade e a violência. É preciso que tenhamos um ‘tecido’ legislativo forte para que possamos levar, até no sentido pedagógico, a mensagem a um delinquente de que não compensa delinquir, mas o que é que nós temos? Temos uma legislação falha que permite o delinquente entender que compensa ele cometer o crime. É como se tivesse a certeza que a lei, o estado não vai chegar a ele. Fica a deixa: se uma polícia de um batalhão, em menos de um ano, já prendeu mais de 1.200 agressores e apreendeu mais 260 armas, está provado EM LETRAS GARRAFAIS que este batalhão está trabalhando e trabalhando muito. Matematicamente isto está comprovado, a sua parte está sendo feita. Por outro lado é preciso que haja um amadurecimento de entender que tem de existir todo um somatório (com os outros sistemas de segurança) para trabalhar de forma harmônica e alcançarmos resultados exitosos”.
A CIDADE PADECE E FICA INSEGURA SE ALGUÉM ASSUME A CADEIRA DE COMANDANTE CHEIO DE VAIDADES? SE O CARGO SUBIR À CABEÇA...
“Eu defino da seguinte forma: no serviço público só cabe profissionalismo. Lógico que a ele você agrega outros valores como ética, responsabilidade, caráter, honra, bom senso e espírito de coletividade. Tudo isso faz naturalmente a pessoa despojar-se de qualquer tipo de vaidade. Neste cargo de comando, distancia-se da realidade, da sociedade, da tropa e do clamor, não é uma postura correta.  
NUMA ENTREVISTA RECENTE, EM UMA EMISSORA DE RÁDIO, O SENHOR CHEGOU A AFIRMAR QUE “A POLÍCIA PRENDE E A JUSTIÇA SOLTA”? POR CAUSA DISSO A “JUSTIÇA” RESPONDEU DE FORMA CONTUNDENTE. É DESSA MANEIRA: “A POLÍCIA PRENDE E A JUSTIÇA SOLTA”?
“Olha eu lamento profundamente e aqui não vai nenhum crítica à imprensa, mas faço sim a alguns maus comunicadores que eu não sei se por desprovimento de conhecimento acadêmico, por maldade ou levado pela ética da ‘barriga’. Eu me referi (como estou ratificado) a legislação falha. E ai o ‘cidadão’ entendeu que legislação é justiça. E quando ele alega que a polícia militar prende e a justiça solta, a frase soa como se a justiça estivesse soltando o preso ilegalmente, ao ‘arrepio da lei’. Como se fosse uma acusação. Em minhas entrevistas, em momento algum eu fiz alusão culpando o sistema judiciário. Não é isso que ocorre. Tanto a justiça, quantos os órgãos policiais têm como matéria prima a lei. Se a lei diz que ‘quem for pego com arma de fogo, o crime é afiançável’, o delinquente vai pagar uma fiança e vai para a rua. O que fica claro é isto: a legislação permite ao delinquente a sensação de impunidade, de liberdade e de não pagar pelo crime que cometeu. Infelizmente veio esse incomodo que alguns pouquíssimos comunicadores quiseram fazer um atrito ou um mal estar entre a polícia e ajustiça. Nós mantemos um sadio relacionamento com o judiciário, o ministério público, polícia civil, PRF, polícia federal, guarda municipal, sistema prisional, Detran, CPTran, STTP e outros órgãos de segurança. O fato é que existem pessoas que torcem pelo ‘quanto pior, melhor’ e ficam ali fustigando a discórdia.
O SENHOR IMAGINOU QUE PODERIA CHEGAR A COMANDAR O SEGUNDO BATALHÃO?
“Francamente falando, sem proselitismo religioso. Eu sou um homem temente a Jesus Cristo. ‘Tudo posso naquele que fortalece’. O meu escudo protetor é Jesus Cristo. Ele me deu uma família maravilhosa que me educou. Educou-me na família. Meu pai me educou. Eu agradeço a ele. Aliado a isso eu tive uma formação acadêmica irretocável. Eu sempre acreditei que poderia chegar mais longe. E digo: agradeço a todos aqueles que somam comigo. Eles são alvo do meu agradecimento. Essas forças que convergem faz com que a gente sonhe, dentro da realidade, em chegar a patamares mais elevados. Isso de maneira sadia, com respeito a todos que nos ladeiam, no cumprimento da legislação, no respeito ao cidadão, na integridade da pessoa”.
A QUESTÃO DA COR EM NADA INTERFERIU?
“Eu costumo de dizer aos meus irmãos negros, a exemplo de todas as raças, que somos uma nação rica. Nós temos aqui uma miscigenação democrática (e por mais que alguém queira bloquear). Veja que aqui no Brasil, por exemplo, ninguém vai recusar matricular um aluno em virtude de ele ser negro. No entanto não é bom ‘a pessoa’ se valer do fato de negro e não estudar, não batalhar e atribuir à cor. Eu acho, se assim for, esse cidadão não honra a cor que tem. Então, seu tivesse nascido branco, e não estudasse eu seria um branco desempregado e um branco sem cargo. A cor é indiferente a aquilo que se possa chegar. Os acessos públicos e privados não fazem alusão a cor”.
A SOCIEDADE SEMPRE FOI CISMADA COM A POLÍCIA MILITAR, MAS ESSA CISMA VEM MUDANDO. É NOTÓRIO. COMO O SENHOR AVALIA?
“A polícia é a guardiã dessa sociedade. As políticas sociais também fazem parte do nosso cotidiano. As ações sociais fazem parte do nosso dia a dia. Não existe mais aquela ideia de que um homem fardado, carrancudo, impõe a ordem. Isso não existe mais. Armas como o dialogo, a ética e o respeito conduzem uma boa polícia entre a sociedade civil e a polícia”.
AQUI EM CAMPINA GRANDE TIVEMOS MOMENTOS EM QUE AS AÇÕES DA POLÍCIA FORAM DURAMENTE QUESTIONADAS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO, PELA IMPRENSA, PELA SOCIEDADE EM GERAL. HOUVE UMA DIMINUIÇÃO DESSAS OCORRÊNCIAS. A POLÍCIA ESTÁ SE POLICIANDO?
“Nós temos 99,99 por cento de policiais comprometidos e dedicados. Aqui no Batalhão temos uma imensa parcela de policiais de conduta regrada e de conduta digna de elogios. Aqueles que lamentavelmente empunharam uma conduta que não é digna e compatível com a profissão foram punidos e assim será. Mas tudo isto é uma questão do ser o humano, da própria pessoa. Eu, enquanto comandante deste Batalhão, faço minha obrigação calcada na ética e na lei. Não há espaço para desvio de conduta”.
NESTE CARGO QUE O SENHOR OCUPA É POSSÍVEL SE DESLIGAR UM POUCO DA FUNÇÃO E SE DEDICAR A OUTRAS ATIVIDADES?
“Nós que amamos a polícia militar quando vestimos a nossa farda, a farda passa a ser a nossa pele. A escala de serviço é apenas um detalhe burocrático. Somos 24 horas policiais. Em que pese estarmos de folga, no seio familiar, o pensamento está sempre voltado para a nossa função. E isto de forma prazerosa. É como se confundisse com exercício da profissão, com o dever familiar. Eu tenho que agradecer a compreensão da família. Repito: sou policial com prazer. Com ou sem farda eu sou policial. Meu celular permanece ligado 24 horas”.
É POSSÍVEL LEMBRAR DE UMA OCORRÊNCIA QUE MARCOU?
“Pela importância que causou a minha pessoa, eu posso citar que teve um caso em que um jovem atentava contra a própria vida  usando arma. Quando chegamos ao local ocorreu então aquele canal de diálogo (gerenciamento de crise, eu diria). Uma coisa é estar numa ocorrência onde tem um refém, outra coisa é estar numa ocorrência onde alguém quer por fim à própria vida. Este caso específico começou a tarde e se estendeu pela noite. No final da noite conseguimos desestimulá-lo. Anos depois essa pessoa me procurou e relembrou todo o episódio e agradeceu por estar viva. Isso foi bastante gratificante. Isto não tem preço. Outro caso diz respeito a um senhor embriagado que estava caído no meio da rua. Nós colocamos ele dentro de casa, ele dormiu e saiu daquela sarjeta. Dias depois eu recebi os agradecimentos do filho dele por colocar o pai dentro de casa. Coisa simples até, mas de um significado importante para o filho daquele homem. Eu poderia citar aqui outras situações de combate, do bem contra o mal, mas me reservo a esses dois fatos pelo valor que essas pessoas deram a polícia. Pelo valor que essas pessoas deram aos soldados. Nós policiais fazemos dezenas de ações diárias nas ruas que passam despercebidas,  mas que nos enchem de ânimo, não pelo fatos de apenas fazemos, mas pelo significado que essas ações têm nas pessoas que nos procuram”.
CAMPINA GRANDE É UMA CIDADE POLICIADA E SEGURA?
“Nós sabemos que fazer segurança pública não é só obrigação da polícia. Repito: a certeza da impunidade faz com que o crime seja repetido. No caso específico de Campina Grande, por mais que alguém questione, por mais que alguém avalie negativamente, nós temos resultados apresentados (resultados matemáticos) probantes positivos. Prendemos diariamente, apreendemos drogas e armas diariamente. Vamos tornar o discurso mais adulto para que outros fatores se somem aos órgãos policiais, pois a partir daí nós teremos uma redução do índice de criminalidade e melhor ainda: vamos ter uma prevenção de tal forma que ela emane o sentimento de sensação de segurança, pois deixará de estar sozinho o organismo policial e teremos sim o somatório”.
ARMA DE FOGO NAS RUAS É ALGO PREOCUPANTE...
“O povo tem que dizer que tipo de legislação quer no país. Seria justo perguntar, por exemplo: ‘O senhor ou a senhora concorda que o delinquente deve pagar a fiança e voltar às ruas, ou ele deve, ao ser preso com arma de fogo, ficar na cadeia para pagar pela sua agressão à sociedade?’ Hoje o homem de bem, com muita propriedade diz: ‘proíbe-se o homem de bem andar armado, mas o bandido usa’. O bandido usa em virtude de a lei dizer:  pague a fiança e estarás solto. Se esta mesma lei fosse revogada, nós teríamos aqui em Campina Grande, de janeiro para cá, menos 260 assaltos ou menos de 260 outros crimes e 260 mantidos presos”.
VOU MAIS ALÉM: A POPULAÇÃO ESTÁ PREPARADA PARA ANDAR ARMADA?
“Está em trâmite uma proposta para que o Estatuto do Armamento propicie a quem preencher requisitos, ter o porte de arma. Percebemos que metade da população é a favor e a outra metade não. Uma pessoa portando uma arma ela pode estar bem segura ou  pode estar levando a morte consigo. A arma é um alvo. Eu solicito pena ‘gravosa’ para o porte ilegal de arma. 99 por cento dos homicídios é com arma de fogo. E outra: nós somos bastante imprevisíveis. Quando eu falo de ‘gravosidade’ para o porte ilegal de arma é para que o cidadão entenda que o estado pôs a mão no delinquente e estar trazendo mais segurança para ele (o cidadão). Não adiante armar o cidadão e deixar o crime de porte de arma afiançável”.
AINDA EXISTE AQUELA SITUAÇÃO: “POLÍCIA CIVIL NUM CANTO, POLÍCIA MILITAR NOUTRO”?
Com a atual política de estado (Paraíba Unida Pela Paz) a cúpula de segurança tem se reunido toda semana para discutir estratégias e planejamentos. Reúnem-se polícias militar e civil, Corpo de Bombeiros, além do IPC. Tudo é reavaliado. Novas diretrizes são traçadas. Existe um 'irmanamento'. Não é cada um por si. Em Campina Grande, por exemplo, o relacionamento nosso com a polícia civil é extremamente cordial, parceira e salutar. Vou lhe dar um exemplo: quando eu digo que apreendemos 260 armas e prendemos e apreendemos 1.200 pessoas em flagrante, com certeza isso se dar por força de um trabalho integrado. Ninguém chega a esses números se esse trabalho for isolado. Se a ONU ‘pegar’ esses números vai dizer que tem alguma coisa errada e não é com a polícia. Ela entender que o Serrotão tem pouco mais de 900 presos, e em menos de um ano prendemos 1.200, a ONU vai começar a fazer uma leitura de que algo está errado e não é com a polícia”.
TIVEMOS AQUI EM CAMPINA GRANDE, DE MODO MAIS PARTICULAR, ASSALTOS EM GRANDES EMPRESAS COMERCIAIS ONDE EXISTE A VIGILÂNCIA PROFISSIONAL (ARMADA ATÉ). DO PONTO DE VISTA DA POLÍCIA MILITAR, ESSE PESSOAL ESTÁ BEM PREPARADO?
“Nós temos várias escolas ou empresas de segurança que ministram cursos acompanhadas de profissionais da polícia Federal (como manda a lei). O dia a dia é uma outra situação. Mas sabemos da capacidade profissional de um vigilante. O elemento surpresa não é uma coisa que se vê. O importante é capacidade, atenção e assimilação.
FINALMENTE: BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO?
“A polícia militar amadureceu muito com respeito à dignidade, à integridade do ser humano. A população esbraveja e clama por punição, por pena capital. Quando ela vê um criminoso pagamento um crime com pena alternativa, ela reclama. Ela acredita que a impunidade está reinando. Quanto ao termo ‘bandido bom é bandido morto’ não é minha opção. Eu prefiro ficar com a mensagem da paz social. Não é interessante nunca partir para o extremismo. Minha opção é pela prisão. privá-lo da liberdade. E outro ponto: temos que ter políticas públicas para a ressocialização do preso”.

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