segunda-feira, 20 de abril de 2020

COVID - 19: OBESIDADE É FATOR DE RISCO EM VÍTIMAS COM MENOS DE 60 ANOS

*Informação consta em relatório do Ministério da Saúde; gravidade entre mais jovens seria diretamente proporcional ao peso
De acordo com os últimos relatos do governo, existe uma relação importante entre as formas mais graves do novo coronavírus em pessoas jovens e uma outra doença pandêmica de alta prevalência no Brasil: a obesidade.

Pelo menos 20% da população do País é considerada obesa e mais da metade dos habitantes está acima do peso normal.
Dados do Ministério da Saúde divulgados há uma semana revelam que a obesidade já é considerada o principal fator de risco nas vítimas da covid-19 com menos de 60 anos - à frente até de problemas respiratórios e cardiológicos.
Médicos que estão na linha de frente também já fazem essa constatação.
"Pelo menos 60% dos pacientes que estão hoje (na sexta-feira) no CTI do Hospital Pedro Ernesto são obesos e são os de pior evolução", contou a endocrinologista Eliete Bouskela, da UERJ, que está à frente de um estudo sobre a evolução dos pacientes da covid-19 do ponto de vista da massa corporal e dos distúrbios de coagulação sanguínea.
"Depois da idade, esse é o maior fator de risco."
Um porcentual parecido é constatado na UTI do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, no Rio, que está atendendo apenas pacientes com covid-19, segundo contou a endocrinologista Monica Gadelha.
Mas por que isso acontece?
"O tecido adiposo não é inerte, não é apenas um estoque de nutrientes; é um tecido ativo e importante para um grande número de condições fisiológicas e patológicas", explicou ao Estado a endocrinologista Amy Rothberg, professora associada da Escola de Medicina da Universidade de Michigan.
"A obesidade contribui para um estado inflamatório produzindo moléculas chamadas de citoquinas. Elas afetam outros sistemas, causando estresse celular, falta de oxigenação celular e morte celular."
À inflamação natural do obeso se junta a grave inflamação produzida pela covid-19, potencializando a produção das citoquinas e agravando todo o processo decorrente.
Para piorar a situação, as pessoas com excesso de peso em geral têm uma capacidade pulmonar mais restrita porque o excesso de gordura abdominal tende a reduzir o volume da caixa torácica.
Para a endocrinologista da UERJ Eliete Bouskela, integrante da Academia Nacional de Medicina, os dados mais recentes estão mostrando que a gravidade do quadro clínico do paciente é diretamente proporcional ao seu peso.
Ou seja, quanto mais gordo é o indivíduo, maior a chance de ele ter um quadro grave de covid-19.
De acordo com as especialistas, essa interação já havia sido notada em outras enfermidades que comprometem o sistema respiratório, mas nunca de uma forma tão grave.
Ex-presidente da Federação Mundial de Obesidade, o endocrinologista Walmir Coutinho, diretor do Departamento de Medicina da PUC-RJ, considera ainda que as condições gerais das Unidades de Terapia Intensiva agravam o desafio de tratar um paciente com obesidade grave.
"Faltam aos hospitais leitos apropriados para essa população, a entubação é mais difícil e, frequentemente, não estão disponíveis aparelhos de imagem que comportem pessoas muito pesadas", enumerou.
"Nesse esforço de abrir hospitais de campanha, seria importante levar em consideração as necessidades dos pacientes obesos", aponta.
"Embora pessoas com o peso normal possam ficar muito doentes por causa do novo coronavírus, são os obesos que estão morrendo por comprometimento respiratório."
(O Estadão)



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