quinta-feira, 28 de agosto de 2025

MEGAOPERAÇÃO COM 1.400 AGENTES MIRA ESQUEMA BILIONÁRIO DO PCC NO SETOR DE COMBUSTÍVEIS

Em um dia marcado pelo combate ao crime organizado no Brasil, três grandes operações deflagradas nesta quinta-feira (28/08) colocaram o setor de combustíveis e o crime organizado no centro das atenções, revelando um esquema bilionário de fraudes com participação direta do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Somadas, as três operações resultaram no cumprimento de mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão (sendo seis realizados) e centenas de buscas e apreensões, em pelo menos oito estados do País.
As investigações apontam que os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente “140 bilhões de reais”.
As ações, descritas pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, como as maiores da história contra a facção, mobilizaram mais de 1.400 agentes em oito estados e miraram desde redes de postos de combustíveis até fundos de investimento na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.
CARBONO OCULTO: R$ 70 BILHÕES E POSTOS EM 8 ESTADOS
A principal ofensiva do dia foi a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e Gaeco.
O foco foi um esquema de fraudes na cadeia de combustíveis que envolvia adulteração de produtos, venda de volume menor do que o registrado e importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá.
Segundo o MPSP, a facção criminosa controla redes de postos em São Paulo e Goiás e movimentou mais de “70 bilhões de reais” em operações entre 2020 e 2024.
Só em sonegação de impostos, o prejuízo calculado chega a R$ 7,6 bilhões.
Cerca de mil postos de combustíveis ligados ao grupo movimentaram “52 bilhões de reais” no período.
O dinheiro chegava a fundos de investimento por meio de fintechs que atuavam como “bancos paralelos” da organização.
Uma delas movimentou sozinha “46 bilhões de reais” em quatro anos.
Mais de 400 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, foram atingidos por mandados de prisão e busca em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
FINTECHS E FUNDOS NA FARIA LIMA
A investigação mostrou que parte do dinheiro do esquema chegou ao mercado financeiro formal.
A organização controlava mais de 40 fundos multimercado e imobiliários, que juntos somavam “30 bilhões de reais”.
Sem citar nomes, a Receita Federal informou que uma fintech de pagamentos operava como um verdadeiro banco paralelo, escoando recursos ilícitos e dificultando o rastreamento.
POLÍCIA FEDERAL E OPERAÇÕES QUASAR E TANK
Na mesma manhã, a Polícia Federal deflagrou duas outras operações relacionadas.
A Operação Quasar mirou a lavagem de dinheiro ligada ao PCC e cumpriu mandados na região da Avenida Faria Lima.
Já a Operação Tank, no Paraná, desarticulou uma das maiores redes de lavagem já identificadas no estado, com bloqueio de bens de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas, somando mais de “1 bilhão de reais”.
LIDERANÇAS IDENTIFICADAS
O MPSP também revelou nomes de supostos líderes do esquema: Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de “Primo” ou “João”. Ambos são apontados como peças-chave no comando das operações.
A dupla é apontada como a principal responsável por uma rede de fraudes fiscais e contábeis que já movimentou mais de “52 bilhões de reais”.
ESQUEMA PODIA SERVIR A OUTROS GRUPOS
Segundo o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a estrutura de lavagem de dinheiro descoberta não atendia apenas ao PCC, mas estava disponível a outros grupos criminosos que quisessem utilizá-la.
As investigações seguem em andamento e prometem atingir setores estratégicos da economia.
RESUMO...
Movimentações em dinheiro
R$ 52 bilhões: entre 2020 e 2024, os criminosos movimentaram este valor por meio de fintechs.
Somente uma das instituições movimentou, sozinha, R$ 46 bilhões em transações não rastreáveis nesse mesmo período.
7,6 bilhões: é o valor estimado pelos investigadores da sonegação fiscal de impostos federais, estaduais e municipais.
30 bilhões: patrimônio estimado do PCC.
O valor estava distribuído em ao menos 40 fundos de investimento (multimercado e imobiliário).
Esses fundos eram usados para ocultação de patrimônio. Muitos deles eram fundos fechados, com um único cotista, para criar múltiplas camadas de ocultação.
Os fundos e fintechs financiaram a compra de diversos ativos, como:
1 terminal portuário.
4 usinas de álcool (e mais 2 em parceria ou aquisição).
1.600 caminhões para transporte de combustíveis.
Mais de 100 imóveis pelo Brasil, incluindo 6 fazendas milionárias no interior de SP (avaliadas em R$ 31 milhões) e uma residência em Trancoso (BA) por R$ 13 milhões.
Tamanho do esquema
2.500 postos: é o número estimado de estabelecimentos atingidos pela fraude em São Paulo equivalente a 30% dos postos no estado.
O Ministério Público identificou mais de 300 postos com fraudes diretas.
Até 90% de metanol: foi a concentração do solvente encontrada em alguns postos operados pelo PCC. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite um limite máximo de 0,5% da substância na gasolina e no etanol.
Esta adulteração gerava lucros bilionários, já que os consumidores não sabiam que estavam pagando por um combustível de qualidade inferior;
Também representava riscos graves para pessoas, veículos e o meio ambiente;
Metanol para adulterar combustíveis: um dos principais eixos da fraude investigada passa pela importação irregular do produto.
O metanol chegava pelo Porto de Paranaguá (PR);
Era desviado e transportado clandestinamente, com documentação fraudulenta e em desacordo com normas de segurança;
Altamente inflamável e tóxico, o produto era direcionado a postos e distribuidoras;
Era utilizado para adulterar combustíveis, gerando lucros bilionários à organização criminosa;
Fraude quantitativa: consumidor paga por valores inferiores aos da bomba;
Fraude qualitativa: combustíveis adulterados fora das especificações técnicas exigidas pela ANP.
R$ 10 bilhões em combustíveis importados ilicitamente: fraude foi registrada entre 2020 e 2024.
Lojas de conveniência: o empresário Ricardo Romano, ligado ao PCC, usava esses estabelecimentos para emitir declarações fiscais falsas, criando artificialmente R$ 21,6 milhões em patrimônio em 2018 para justificar a compra de postos de gasolina.
(CNN e g1)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.