quinta-feira, 1 de novembro de 2018

ASSOCIAÇÃO DOS DELEGADOS VÊ “INGERÊNCIA” NA ATUAÇÃO DA POLÍCIA

*Lucas Sá será adjunto da Roubos e Furtos e Gadi da Infância e Juventude;
*Cláudio Lima descarta ligação da Cartola com remoção de delegados
A Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia na Paraíba emitiu uma nota, nesta quarta-feira (31/10), contestando a decisão do Governo do Estado em exonerar delegados da Polícia Civil do Estado e remanejá-los para outros cargos.

A entidade acusa o atual secretário de Segurança Pública, Cláudio Lima, de interferência nos trabalhos que são desenvolvidos pelos policiais.
"Um dos mais graves problemas da Polícia Civil é a falta de autonomia gerencial e as constantes ingerências do atual Secretário de Segurança, que ocupa um cargo político, nas 'escolhas' de nomes que dão 'resultados'. Afinal, a Polícia Civil tem um Delegado Geral, que é o chefe da instituição. Talvez o senhor Secretário não saiba, mas na pesquisa feita com os Delegados, mais de 98% estão insatisfeitos com o tratamento dado pela Secretaria de Segurança à Polícia Civil”, diz um trecho.
A associação questiona, ainda, a falta de autonomia financeira, administrativa e gerencial.
Por fim, a ADEPDEL pede que o secretário possa esclarecer as exonerações e destacou o trabalho desenvolvido pelos delegados.
"A título de exemplo, a Delegacia de Defraudações, subordinada a 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, é a que mais produz no Estado e o Delegado Lucas de Sá é o Delegado com maior produtividade na Polícia Civil, tendo seu trabalho reconhecido por todos. A 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, que até ontem tinha à frente o Delegado Marcos Paulo dos Anjos Vilela, Superintendente por 07 anos (Campina Grande e João Pessoa), é que mais contribui no Estado para a redução de homicídios, durante últimos anos. É preciso que Excelentíssimo Senhor Secretário de Segurança deixe os colegas trabalharem”, afirma em nota a entidade.
CONFIRA A NOTA NA ÍNTEGRA
A Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia da Paraíba – ADEPDEL vem a público se manifestar sobre as exonerações, de cargos em comissão, de Delegados de Polícia, publicadas no diário oficial de 31 de Outubro de 2018.
Inicialmente, cabe registrar o agradecimento a todos os colegas que foram exonerados.
Sim, agradecer.
A ADEPDEL reconhece a dedicação à Polícia Civil, durante o tempo em que ocuparam cargos importantes na gestão.
Vocês enaltecem o nome da instituição.
A Polícia Civil evoluiu muito nos últimos anos, com muitas operações de repercussão nacional, redução de homicídios e aumento na elucidação de crimes.
Foi também considerada a melhor Polícia Civil do País, segundo pesquisa da revista Exame.
E os colegas, exonerados hoje, foram atores importantes desse processo.
A sociedade reconhece o trabalho da Polícia Civil, de João Pessoa à Cajazeiras.
Infelizmente, a Polícia Civil não tem autonomia financeira, administrativa e gerencial.
Além disso, não evoluiu no tratamento humanitário ao policial. Rapidamente, esquecem a quantidade de serviços prestados.
A Polícia Judiciária Estadual fica à mercê de Secretários, que se utilizam dos belíssimos trabalhos da instituição para enaltecer planejamentos, ditos “autorais”.
Na verdade, alguns dos colaboradores foram exonerados hoje.
O tratamento de subserviência que vem sendo dado e pregado pelo atual Secretário de Segurança é histórico, ou melhor, ficará para o rol das piores histórias da Polícia Civil.
A Polícia Civil sangra com esse modelo de gestão do Secretário Cláudio Lima, que procura dividir e descartar o ser humano como papéis recicláveis, sem justificativas plausíveis ou até mesmo com fundamentos.
A ADEPDEL vem tentando construir uma Polícia Civil mais independente, no sentido de poder assinar um ofício, até mesmo comprar uma lâmpada ou cadeira, sem ter que pedir autorização ao Secretário da pasta.
Por sinal, os policiais civis estão cada vez mais desacreditados em ter uma Polícia Civil mais autônoma, assim como ocorre com a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, pois se tirarmos o comando gerencial da Polícia Civil do Secretário de Segurança, esta secretaria não teria sentido de existir.
Os Delegados de Polícia Civil do Estado trabalham para a sociedade, não têm apego a cargos, não estão de passagem e sempre seguirão o caminho do bem, em busca de uma Polícia Judiciária cidadã, que possa priorizar o que a sociedade realmente quer.
Cargos em comissão são passageiros, são de livre nomeação e de exoneração.
Já o histórico de dedicação de cada policial dentro da Polícia Civil ninguém apaga.
A ADEPDEL sempre defenderá os bons pleitos e muitas vezes apoiou a Secretaria de Segurança e o Governo contra politizações, com sugestões e ideias, muitas das quais implementadas pela força do argumento, sempre no intuito de ajudar a instituição, sem qualquer tipo de vaidade, priorizando um relacionamento institucional e isento.
E assim continuaremos.
Fizemos um Plano de Segurança Pública, voltado para Reestruturação da Polícia Civil, com a melhor das intenções, ouvindo quem faz a segurança na ponta e, sobretudo, a sociedade.
Atendemos mais 200 mil cidadãos paraibanos todos os anos.
Sabemos o que a sociedade almeja.
Apontamos os avanços dos últimos anos e o que precisa ser aperfeiçoado e melhorado.
Não copiamos plano de ninguém.
Reconhecemos as boas práticas.
Mas, exigimos respeito, pois construímos algo para o povo paraibano e que foi menosprezado, desde o início de sua construção, pelo atual Secretário de Segurança.
Ninguém é dono da verdade.
Nenhum plano é infalível, de forma a não precisar ser aperfeiçoado.
É preciso ter humildade para reconhecer isso.
Um dos mais graves problemas da Polícia Civil é a falta de autonomia gerencial e as constantes ingerências do atual Secretário de Segurança, que ocupa um cargo político, nas “escolhas” de nomes que dão “resultados”.
Afinal, a Polícia Civil tem um Delegado Geral, que é o chefe da instituição.
Talvez o senhor Secretário não saiba, mas na pesquisa feita com os Delegados, mais de 98% estão insatisfeitos com o tratamento dado pela Secretaria de Segurança à Polícia Civil.
Continuaremos trabalhando, apesar de não apoiarmos a gestão do atual Secretário.
Defenderemos a busca pela redução dos homicídios.
Orientaremos os Delegados a priorizarem as demandas do cidadão comum, que escolheu o combate crime patrimonial como demanda essencial.
Nosso compromisso é a proteção da sociedade e o combate ao crime.
Sobre os motivos das exonerações, cabe ao Secretário de Segurança justificar ao povo paraibano.
A título de exemplo, a Delegacia de Defraudações, subordinada a 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, é a que mais produz no Estado e o Delegado Lucas de Sá é o Delegado com maior produtividade na Polícia Civil, tendo seu trabalho reconhecido por todos.
A 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, que até ontem tinha à frente o Delegado Marcos Paulo dos Anjos Vilela, Superintendente por 07 anos (Campina Grande e João Pessoa), é que mais contribui no Estado para a redução de homicídios, durante últimos anos.
Por fim, é preciso que Excelentíssimo Senhor Secretário de Segurança deixe os colegas trabalharem, busque melhorias para a instituição, como concurso público e armamentos, ajude aos 808 policiais civis que precisam se aposentar sem perdas e tenha a humildade para aceitar que existem outros atores e ideias, que visam à melhoria da Segurança do Estado.
LUCAS SÁ SERÁ ADJUNTO DA ROUBOS E FURTOS E GADI DA INFÂNCIA E JUVENTUDE
O delegado-geral da Polícia Civil da Paraíba, João Alves, definiu, nesta quarta-feira, os novos locais de trabalhos dos delegados exonerados pelo governador Ricardo Coutinho.
Lucas Sá, que era titular da Delegacia de Defraudações e Falsificações, responderá como adjunto da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas da Capital.
A DDF ficará sob a tutela de João Ricardo, que era adjunto.
Vanderleia Gadi, que também era adjunta da Defraudações, foi encaminhada como adjunta da Delegacia Especializada da Infância e Juventude de João Pessoa.
Ademir Fernandes prestará expediente na Delegacia Especializada de Crimes contra a Pessoa.
O titular será Hugo Helder Porto.
Flávio Craveiro Vasconcelos responderá pela Delegacia de Crimes contra a Ordem Tributária.
Sá e Gadi eram os delegados responsáveis pelas investigações da Operação Cartola, que investiga fraudes no futebol da Paraíba, que no último domingo (28) foi tema de uma reportagem na TV Globo.
Na matéria, o governador Ricardo Coutinho (PSB) foi citado num diálogo entre o ex-diretor do Botafogo, Breno Morais, que apresentava uma possível influência no esquema.
Mas o governador questionou a citação e negou qualquer contato para interferir no futebol do estado.
CLÁUDIO LIMA DESCARTA LIGAÇÃO DA CARTOLA COM REMOÇÃO DE DELEGADOS
O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Cláudio Lima, descartou qualquer influência do desdobramentos da operação Cartola, que teve o governador Ricardo Coutinho associado a fraude no futebol em uma reportagem da TV Globo, às mudanças promovidas na Polícia Civil da Paraíba.
"Esse inquérito já foi relatado e já está na Justiça. Não tem nada a ver com aquilo que saiu. Eu não sei onde pegaram aqueles dados para passar”, disse.
Segundo o secretário, a associação do governador à operação não é verídica.
"O pessoal da reportagem encontrou uma pessoa que falava o nome do governador, mas tanta gente pode falar o nome da gente. O governador nem sabia dessa operação”, finalizou.
(Do Mais PB)

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