sexta-feira, 24 de maio de 2019

ESQUEMA DE PISTOLAGEM AMEAÇA JURADOS E JUIZ ADIA JULGAMENTO


*Jurados teriam sido visitados por familiares do réu
Há sete anos uma guerra entre duas famílias da região de Catolé do Rocha, no Sertão do Estado, causou a morte de aproximadamente 100 pessoas e repercutiu em todo o país ao ser descoberta pela Operação Laços de Sangue.
Hoje dezenas de pessoas continuam respondendo na Justiça por assassinatos cometidos sob encomenda, várias já foram condenadas, mas a ação dos grupos pode não ter acabado.
Prova disso é que essa semana o juiz do 2º Tribunal do Júri de Campina Grande, Horácio Ferreira de Melo, decidiu adiar o julgamento de cinco réus, depois de receber informações de que jurados estariam sendo ameaçados por familiares de um dos acusados.
O esquema de pistolagem, que vai a julgamento popular, teria provocado a morte de Francisco Alvibar de Mesquista, durante as disputas entre as duas famílias. 
O crime, de acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, teria o envolvimento de Chateaubriand Suassuna Barreto, Humberto Suassuna, José Damião de Oliveira, Grimailson Alves de Mesquita e Maria Lemos da Silva. 
Todos iriam ser julgados em Campina Grande nesta quinta-feira (23/05), mas tiveram o júri adiado para o próximo dia 26 de agosto por determinação judicial. 
O processo teve início na comarca de Catolé do Rocha, mas foi transferido para Campina Grande por questões de  segurança.
Mesmo com a transferência, as suspeitas são de que o “esquema da pistolagem” pode ter tentado pressionar os jurados. 
O júri seria hoje, mas pelo fato dos jurados terem sofrido ameaças e visitas indesejadas de familiares de um dos réus, decidi suspender e decretei a prisão preventiva de Humberto Suassuna”, informou o juiz Horácio Ferreira.
JUSTIÇA TEME INTERFERÊNCIAS
Ontem a Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba também decidiu transferir, da comarca de Catolé do Rocha para Campina Grande, o julgamento de outros três réus que respondem processos relacionados à Operação Laços de Sangue. 
O objetivo é assegurar a imparcialidade do julgamento e evitar pressões sobre os jurados.
O  processo trata da morte de Raimunda Keila Batista de Mesquita, assassinada a tiros em fevereiro de 2011. 
Serão julgados nesse caso Chateaubriand Suassuna Barreto, Grimailson Alves de Oliveira e José Damião de Oliveira. 
Ainda não há uma data marcada para que esse julgamento aconteça.
(João Paulo Medeiros/Jornal da Paraíba)

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