sábado, 8 de junho de 2019

ARÁBIA PODE EXECUTAR JOVEM POR LIDERAR PROTESTOS QUANDO ELE TINHA 10 ANOS DE IDADE

Um jovem preso aos 13 anos corre o risco de ser executado na Arábia Saudita agora que completou 18 anos, segundo a CNN. Murtaja Qureiris é acusado de liderar protestos e participar de “um grupo terrorista extremista” quando era apenas uma criança.

De acordo com a emissora norte-americana, que divulgou a história com exclusividade, Qureiris se tornou alvo das autoridades com 10 anos de idade, quando foi filmado discursando para outras crianças, dizendo que “o povo exige direitos humanos”.
o mesmo ano, foi acusado de acompanhar seu irmão, Ali (que morreu em 2011), quando este supostamente atirou coquetéis molotov em uma delegacia.
Qureiris foi preso quando tinha 13 anos e viajava com sua família para o Bahrein.
Na época, foi considerado por ativistas e advogados o mais jovem prisioneiro político da Arábia Saudita.
Ele passou quase quatro anos preso pré-julgamento, sendo que há um ano e três meses está detido em uma solitária.
Segundo a CNN, não se sabe exatamente qual a maioridade penal na Arábia Saudita, mas em 2006 o país disse ao Comitê dos Direitos Humanos que a idade seria 12 anos, dois a mais do que Qureiris tinha quando cometeu o suposto crime.
Além disso, o reino havia dito à ONU que não condena à pena de morte pessoas que cometeram crimes antes de atingirem a maioridade penal.
Por isso, de acordo com a emissora norte-americana, ele responde agora por outras acusações, como violência cometida durante protestos posteriores, incluindo preparar coquetéis molotov e atirar contra policiais durante o funeral de seu irmão.
O jovem nega, e diz que as supostas confissões foram obtidas através de coerção e tortura.
As autoridades sauditas não responderam aos pedidos da CNN para se pronunciar sobre o caso.
A recomendação para que ele seja condenado à morte foi apresentada pela promotoria meses antes de ele completar 18 anos.
Outro de seus irmãos também está preso, assim como seu pai, detido no ano passado.
A CNN afirma ainda que, embora nenhuma morte seja atribuída a Qureiris, a promotoria está tentando impor a ele a forma mais severa de aplicação da pena de morte, que pode incluir crucificação ou desmembramento após a execução.
O argumento dos promotores é de que essa punição seria garantida pela Sharia por ele ter plantado “sementes de insurreição”.
A Arábia Saudita é um dos países com o maior número de execuções de prisioneiros no mundo.
Em abril, o reino anunciou que 37 homens foram executados, acusados de crimes relacionados a terrorismo.
Um deles foi crucificado.
(Do G1)

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